Bispo e Polícia Civil apresentam resultado da investigação de perseguição e difamação envolvendo padre da Diocese de Criciúma
Operação Pax Mentis foi realizada no mês de agosto
20.08.2025 - 13:52:05
A Polícia Civil concluiu o inquérito policial que investigou ataques contra o padre Joel Savio, atual reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio, em Nova Veneza. Os detalhes foram apresentados durante coletiva na tarde desta terça-feira, dia 19, na Cúria da Diocese de Criciúma.
“A igreja não se precipita. Nós queremos achar a verdade. A sociedade é regida pelo direito civil. E a igreja é regida pelo direito canônico. Então precisamos progredir nos dois campos. Nós sempre tomamos previdências desses casos e chegamos ao fim deste triste episódio. E esperamos que não aconteça novamente. Se acontecer, tomaremos novamente as providências”, disse o Bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach.
Relembre o caso
Em fevereiro deste ano, começaram a circular pelas redes sociais e grupos de WhatsApp imagens supostamente comprometedoras do padre. Os conteúdos envolviam prints de conversas manipuladas, acusações falsas sobre uso indevido de recursos da Igreja e a divulgação de vídeos.
Como se pode prever, o impacto foi imediato e atingiu não somente a imagem do padre, mas também da Diocese de Criciúma. Com o caso sendo apresentado a polícia, constatou-se que o sacerdote estava sendo alvo de perseguição de forma violenta e obsessiva, crime conhecido como “stalking” e que gerou uma série de ataques difamatórios, caluniosos e persecutórios contra o sacerdote e outros membros do clero diocesano. Nesse sentido, a Diocese de Criciúma contou com o apoio do advogado Jefferson Monteiro, que passou a representar a vítima.
A operação e a investigação
Em agosto, a Polícia Civil através da equipe coordenada pelos delegados Márcio Neves e André Milanese, realizou a Operação Pax Mentis e aprendeu três celulares na casa da suspeita, residente da cidade de Imbituba/SC.
“Ela vinha praticando uma série de atos. Pelo que analisamos nas provas técnicas, essas ofensas se estendiam desde julho de 2024 e só cessaram quando cumprimos a busca e apreensão. Eram três aparelhos celulares de última geração para criar e divulgar os materiais, inclusive envolvendo outros padres para descredibilizar a vítima na própria igreja”, explicou o delegado Márcio Neves.
A mulher prestou depoimento e confirmou que criava as narrativas. Uma das motivações seria tentativa da investigada de se envolver amorosamente com o padre. “Tem a questão da recusa do padre de se envolver em um relacionamento e tem outros assuntos internos, que não compete a Polícia Civil e, sim, a Igreja Católica a dar os encaminhamentos. O nosso trabalho foi encerrado e encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina”, completou Neves.
Acordo e doação para projeto social
Prevalecendo o espírito conciliatório e a anuência do padre Joel Sávio, a Diocese de Criciúma firmou um acordo onde a mulher se comprometeu a realizar a confissão formal e o pagamento de indenização ao sacerdote no valor de R$40 mil.
O valor já foi pago e será destinado integralmente para a Casa do Egresso, instituição administrada pela Diocese de Criciúma que acolhe pessoas que deixaram o sistema prisional para reintegrá-las na sociedade. “Padre Joel poderia ficar com esse valor, foi a principal vítima, mas desde que iniciamos as conversas ele se mostrou disposto a doar o valor para alguma causa social de nossa diocese e assim o fez”, destacou Dom Jacinto.
A mulher fica ainda proibida de falar sobre o padre (vítima), sobre qualquer padre e bispo da Diocese de Criciúma e de manter contato com qualquer sacerdote pelos próximos 2 (dois) anos, caso descumpra as determinações, terá que pagar multa de 20 salários mínimos.
Fotógrafo Diocese de Criciúma/Divulgação
