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Vocação e Missão

Data de Publicação
03
2015
08
Segunda-feira
23h02
03 de Agosto de 2015 23h02

Muito já ouvimos falar ou já falamos sobre vocação, dom, aptidões, talentos etc. E é obvio que sempre ligamos essas palavras com as questões da Igreja. Sempre foi feita a diferenciação entre vocação e profissão. Mas sabemos que uma pessoa que escolhe uma profissão que não está ligada à vocação corre o risco de não ser feliz, de ser um péssimo profissional. A vocação também está ligada ao gosto ou simpatia que a pessoa sente por determinado estilo de vida. Muitos fazem da sua profissão um serviço valiosíssimo à sociedade, mesmo não estando a pessoa ligada à religião. O voluntariado é um exemplo disso. Mas o cerne da vocação ou da profissão é a pessoa, porque é ela que deve sentir-se realizada e feliz naquilo que faz.

A sociedade ou os sistemas e instituições costumam selecionar o melhor entre os melhores para garantir lucro, produtividade. Quem não dá lucro, quem não produz conforme o desejado, é descartado e considerado inútil. Nessa mentalidade, a pessoa humana facilmente se vê como um produto, um objeto qualquer que não corresponde às expectativas dos outros.

Vocação, dom, aptidões, talentos têm tudo a ver, mas não são a mesma coisa, no meu entendimento. Creio que a raiz de tudo é a vocação, porque é a base na qual vamos construir nossa vida, podendo ela ser feliz ou não, dependendo da escolha que fazemos. Somos todos vocacionados, vocacionadas, mas precisamos descobrir em nós esse “chamado divino”. Ser vocacionado é ser escolhido porque Deus não seleciona, Ele escolhe, com critérios, não baseados na inteligência ou capacidade, mas na disponibilidade e docilidade do coração humano. Todos somos escolhidos porque isso faz parte do plano de salvação de Deus. Na messe, que é grande, sempre há necessidade de mais e mais trabalhadores, como o próprio Jesus diz (Mt 9, 37-38).

Entre ser selecionado pela sociedade e ser escolhido por Deus, lógico que é muito melhor ser escolhido, porque o agir de Deus já é a salvação que desejamos. O próprio Jesus, quando fala aos discípulos sobre o amor recíproco, deixa bem claro que a escolha é sempre de Deus: “Eu vos escolhi ” e não é uma escolha para qualquer coisa e sim “ para dar frutos que permaneçam” (Jo 15, 16).

Como vocacionados, encontramos muitas oportunidades de fazer dar os frutos desejados por Jesus de forma permanente. É aí que descobrimos nossas aptidões, nossos dons e talentos. Quando nos colocamos a serviço da Igreja, devemos agir como quem quer dar o melhor de si. Devemos olhar para dentro de nós mesmos e ver o que temos de melhor para o Senhor. Não devemos comparar a oferta de um e de outro, porque é somente a Deus que cabe o julgamento das coisas. Considerar as dos outros inferiores à nossa é falta de humildade ou considerar a nossa inferior às dos outros é falta de autoestima. Cada um deve dar o melhor de si, porque o “valor” não está no produto e sim no sentimento do coração, como a oferta da viúva que Jesus elogiou no templo (Lc 21, 1-4).

Também, conforme a Palavra de Deus, não existem pessoas mais abençoadas ou menos abençoadas. É Deus quem distribui conforme a capacidade de cada um. A diferença é que uns sabem fazer multiplicar e outros simplesmente “enterram” o que receberam por medo ou por preguiça (Mt 25, 14- 25).

Portanto, somo sim, vocacionados e vocacionadas do Senhor. Com nossos talentos, dons e aptidões, que se diferem muito uns dos outros, podemos fazer a diferença na Igreja e na sociedade. O sucesso da missão depende da nossa boa vontade quando estamos a serviço do Reino de Deus.

Amados irmãos e irmãos, vocacionados e vocacionadas do Senhor, que o Espírito Santo nos encha com seus dons e que saibamos usá-los em favor da comunidade.

Padre Antonio Mendes