Cúria Diocesana (48) 3433.6313 Catedral São José (48) 3433.1079 imprensa@diocesecriciuma.com.br

Uma Igreja, muitas vocações e poucos operários

Data de Publicação
03
2016
08
Quarta-feira
13h44
03 de Agosto de 2016 13h44

Queridos amigos, irmãos de caminhada: já estamos no segundo semestre. Estamos caminhando com essa Igreja que nos chama a doação plena de nós mesmos por esse Reino a ser edificado; Reino de justiça, de paz, Reino de fraternidade, de igualdade. Não teríamos melhor maneira de iniciar o ultimo semestre, que não fosse celebrando o mês das vocações.
 
Quando falamos em vocação, devemos sentir nosso coração pulsar de alegria e entusiasmo, porque, como nos diz o papa Francisco, em sua mensagem, "vocação é um dom da misericórdia divina". Um dom para a Igreja, para a sociedade, para o mundo.
 
Sentir-se vocacionado, vocacionada é sentir-se capaz de trabalhar pelo Reino; dizer "eis-me aqui, Senhor" sem escolher lugar, sem impor condições. Nossa vocação nasce nas águas batismais e se concretiza nas atividades do dia a dia, mas terá sua plenitude no encontro definitivo com o Senhor, na eterna glória.
 
Compreendemos que tudo tem sua origem, um ponto inicial. Como as águas que brotam das nascentes e fazem seu curso, fazendo surgirem os rios até encontrarem o grande mar, assim, nós, vocacionados e vocacionadas, nos originamos nas águas santas do batismo e fazemos o percurso até nos encontrarmos com o Senhor dos senhores.
 
É no percurso da vida que descobrimos nossas aptidões, nossos talentos, nossos dons. Nem sempre fazemos uma caminha fácil. Pelo caminho, constantemente, encontramos barreiras internas que nos atormentam, como as dúvidas, os receios, as incertezas ou os apegos às coisas terrenas que nos fazem retardar a resposta. Ou as barreiras externas das incompreensões, da falta de apoio, de acolhida, disputas por cargos, brigas pelo poder. Isso não são coisas ou atitudes positivas para a Igreja, porque geram muitos conflitos e atrasam a evangelização.
 
As águas que brotam das nascentes também encontram obstáculos no seu percurso e, no entanto, jamais deixam de seguir. Elas vão contornando as barreiras, vão passando por cima de umas, por baixo de outras... Às vezes, ficam um tempo represadas, mas mesmo assim realizam sua missão. É importante lembrar que são as águas que formam os rios. Quando as águas secam, o que antes era um rio transforma-se em caminho de passagem de animais. Sem água, não existem rios. Assim também, sem vocações a comunidade não realiza plenamente sua missão.
 
Diante de tantos obstáculos que encontramos, precisamos nos questionar sobre o que mais nos motiva a perseverar, para descobrirmos o principal interesse que nos faz enfrentar e prosseguir na caminhada. Uma certeza deve permanecer em nossos corações: somos Igreja sonhada pelo Pai e concretizada na missão terrena do Filho, confirmada pela unção do Espírito Santo, cuja missão é EVANGELIZAR.
 
Para realizar essa missão, a Igreja, utiliza os meios que o próprio Espírito Santo faz surgir no seio da comunidade. Somos uma Igreja rica em vocações que se manifestam, nos movimentos de espiritualidade, nos grupos de pastoral, nas casas religiosas, casas de formação e nos seminários, nas famílias, nas comunidades de vida etc. Se há poucos operários é porque "ninguém foi lá fora chamar", como nos diz padre Zezinho em uma canção. Por isso a necessidade de fazer desse mês de agosto um tempo de oração pelas diversas vocações em nossa Igreja.
 
Pedir sempre ao Senhor da messe que enviem mais operários, mas, como disse o Papa aos jovens, devemos trocar o sofá por um par de sapatos... Ou seja, devemos sair da comodidade da nossa casa e nos colocar na estrada chamando, convidando, acolhendo, divulgando porque não existem reconhecimentos sem méritos, não existe sucesso sem esforço, não há multiplicação do todo se antes não houver a partilha do pouco que temos. Todos nós temos algo para partilhar.
 
Um abençoado mês vocacional para todos.
 
Padre Antonio Mendes