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Santuário de Caravaggio celebra jubileu de ouro com programação intensa

Data de Publicação
26
2017
09
Terça-feira
16h33
26 de Setembro de 2017 16h33

Já faltam poucos dias para que a comunidade católica do Distrito de Caravaggio, no município de Nova Veneza, celebre, com grande festa, o Cinquentenário de Inauguração do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio. O templo, terceiro construído pela comunidade desde a chegada dos imigrantes italianos, completa 50 anos de inauguração no dia 1º de outubro, fruto do entusiasmo e da fé de 90 famílias moradoras da época, capitaneadas pelo Monsenhor Gregório Locks, com a autorização de Dom Anselmo Pietrulla, que era Bispo de Tubarão.

Aquele que antigamente era conhecido como Morro da Miséria deu lugar ao espaço sagrado que hoje atrai romeiros de diversas partes do Estado e até do Brasil. A festa de Caravaggio, que costuma reunir mais de 50 mil fiéis, todos os anos, está incluída no calendário oficial de eventos do Estado e também tem seu Santuário reconhecido como ponto turístico religioso de Santa Catarina.

Dia de receber indulgências plenárias

Uma nova oportunidade de lucrar indulgência plenária será concedida aos católicos que, no próximo domingo, 01, peregrinarem até o Santuário Diocesano, por ser uma das datas escolhidas pelo Bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach, para que os fiéis obtenham a graça concedida através do vínculo espiritual de afinidade alcançado em março deste ano, junto à Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma. Os romeiros devem confessar-se, participar da missa, comungar e rezar nas intenções do Papa. Uma série de atividades religiosas e recreativas está programada para esse dia, bem como para a véspera, 30.

Atividades marcarão história

As festividades iniciam às 10h de sábado e só terminam às 20h30min de domingo. A manhã de sábado será marcada pelo encontro "História e Historiadores do Santuário", com lançamento do livro "Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio", mostra de fotos históricas e do projeto arquitetônico de revitalização do Santuário.

"O livro traz toda a história dos 50 anos. As responsáveis pela obra, Mônica Scotti e Erbel Mondardo, fizeram a pesquisa no Livro Tombo, que registra os fatos significativos que vão acontecendo durante o tempo. Outras pessoas da comunidade também colaboraram fornecendo dados, fotos, informações. Quanto ao projeto, vamos ter apenas um esboço para exposição. Nele, contemplamos uma sacada em frente ao Santuário (um átrio), ambientes para confessionário, ampliação da sacristia e da Capela do Santíssimo, velário e outros detalhes que temos em vista, para fazer com que nosso Santuário fique mais funcional. Ele foi construído há 50 anos, a realidade mudou muito de lá para cá, portanto, temos que adequá-lo à atualidade naquilo que for possível. No momento em que o projeto for finalizado, a ideia é fazer uma maquete e expor para que a comunidade avalie e aprove", explica o Reitor do Santuário, padre Valdemar Carminati.

Os dois dias de festa contarão com a "Quermesse de Confraternização", com barracas de alimentação e momentos de lazer com as famílias. Na noite de sábado, às 19h, será celebrada missa com participação especial do Coral Santa Cecília, de Zapatta, Itália, que vem acompanhado pelo também italiano padre Fábio Fiori. Logo após, haverá recital de corais, às 20h30min.

O domingo, 01, terá como ponto alto a missa solene, às 09h, que será presidida pelo Bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach. Com a participação de lideranças, povo e descendentes de benfeitores, sob a animação do Coro do Santuário, a comunidade acolherá a entrada da estampa original trazida pelos imigrantes de Caravaggio, que hoje está na comunidade de Tenente, interior de Jacinto Machado. Ao término na celebração eucarística, às 11h, será inaugurado e abençoado um capitel no jardim do Santuário, próximo à esquina das ruas José Spillere e José Ronchi. Apresentações artísticas e culturais, corte do bolo de aniversário, missa, apagamento da vela símbolo do cinquentenário são algumas das atividades que permearão a tarde e noite, que culminarão com o repicar dos sinos e fogos de artifício.

Foto: José Luiz Ronconi

Semana Missionária antecede jubileu

Desde o dia 22, os Freis Missionários Capuchinhos Claudecir Fantini e Volmir Warken, de Vacaria (RS), estão no Santuário, preparando a comunidade para viver intensamente este momento. Durante o dia, confissões e orientação espiritual no Santuário, visitas aos doentes e, à noite, sempre às 19h, missas e palestras. "Será uma semana de uma espiritualidade muito profunda, de reconciliação. O jubileu é uma época de louvor, de ação de graças, mas também uma época de renovação. Quisemos que o jubileu não fosse apenas um momento de festa, de eventos, mas que fosse um momento também de renovação da nossa comunidade e o trabalho dos missionários é na linha da CNBB, que é a linha oficial da Igreja, que procura ser uma Igreja de pé no chão, despojada, simples, que tem compromisso com o povo; não uma Igreja de eventos, de coisas suntuosas, mas uma Igreja conforme Jesus Cristo sonhou, planejou e o Papa Francisco está toda hora falando. É uma proposta para mexer bastante com a nossa comunidade", explica o Reitor, padre Valdemar.

Conforme frei Claudecir Fantini, o serviço de animação missionária franciscana quer somar com a vida e com os trabalhos já existentes na comunidade. Alguns dos temas trabalhados durante a semana, no Santuário, falarão sobre missão, realidade da pessoa humana, sua relação com Deus e quem é Deus, além de um momento mariano. "Outra palestra que trabalhamos com o povo é: Quem é a Igreja? Ou seja, as primeiras comunidades que vêm desde o tempo de Jesus até a mudança do Concílio Vaticano II (1965) e hoje, o que o Papa Francisco propõe para nós batizados, para nós católicos", relata.

Na noite de quarta, o tema será família, com suas belezas e desafios. "Na quinta à noite, nós teremos a missa com bênção das famílias. Na sexta, a missa em ação de graças pela caminhada das missões e o compromisso que a comunidade do Santuário de Caravaggio vai continuar para frente. Já se passaram 50 anos e vamos dizer: Qual vai ser o ânimo da nossa caminhada de fé para mais 50 anos neste Santuário? O Papa Francisco pede muito para acolher com carinho, com amor e é isso que nós queremos, juntos, celebrar com esse povo", pontua Fantini.

Momento de render graças

Padre Valdemar Carminati enfatiza que a organização do Jubileu, iniciada em julho do ano passado, contou com o apoio da Coordenação Diocesana de Pastoral e com a assessoria da professora Marlene Milanez Justi, com o engajamento de lideranças, empresas e todo o povo do Distrito. Segundo o reitor, é momento de agradecer, especialmente pela devoção cultivada pelas famílias locais ao longo desses anos. "Quase todas as famílias têm uma grutinha em sua casa e isso dá estímulo para as pessoas continuarem a seguir o projeto de Jesus. É um grande momento, não apenas para Caravaggio, mas para toda a Diocese, porque se trata de um santuário diocesano. Temos a satisfação de convidar a todos e a presença de cada um será uma grande alegria para nós. Diante da intensa programação, pedimos a Deus a bênção sobre todos que se empenharam e estão se empenhando. O jubileu, nas proporções que está sendo organizado, realmente exige muito trabalho, muita dedicação!", acrescenta Carminati.

Programação

Sábado, 30 de setembro - 50 anos de dedicação
10h: Abertura das Festividades do Jubileu com Hasteamento das Bandeiras (Brasil, Santa Catarina, Nova Veneza, Vaticano, Diocese de Criciúma, Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio - 50 anos). Participações especiais: Rotary Clube, Fanfarra da Escola de Educação Básica Humberto Hermes Hoffmann, Grupo de Escoteiros Aguaí - Siderópolis, Banda do 28º GAC.
10h: Abertura da Quermesse de Confraternização, com barracas de alimentação no entorno do Santuário, com café colonial, doces, salgados e bebidas (CAEP e Equipe de Apoio).
10h30min: Encontro "História e Historiadores do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio", no Salão Anchieta, com mostra de fotos históricas e do projeto arquitetônico de revitalização do Santuário e lançamento do livro "Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio" (organizadoras: Professoras Erbel Grácia Sávio Mondardo e Mônica Scotti/ equipe: Benício Spillere, Cleusa Milanesi Spillere, Moacir Laerte Milanez e Judite Sachet Neto).
Participações especiais: Conselho Pastoral Paroquial, Pastoral da Criança, Pastoral do Idoso, Pastoral Litúrgica, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Saúde, Pastoral Vocacional, Comissão de Assuntos Econômicos Pastorais, Catequese, Ministros Extraordinários da Eucaristia, Apostolado da Oração, Grupos de Família, Movimento de Cursilhos de Cristandade, Movimento de Irmãos, Mãe Peregrina, Terço dos Homens, Famílias Colaboradoras na Construção do Santuário, Industriais e Comerciantes do Distrito de Caravaggio, Rotary Clube de Caravaggio, Esporte Clube Caravaggio, Autoridades Civis e Eclesiásticas, Equipe de Batismo.
14h: Quermesse de Confraternização com áreas de lazer no entorno do Santuário:
- Piquenique da Família (conversas e lanches sobre os gramados)
- Recreação Infantil (cama elástica, piscina de bolinhas, brincadeiras, pipoca e algodão doce)
- Atividades Esportivas e Recreativas (jogos de baralho e de bocha)
- Apresentações de Palco Artísticas e Culturais
13h: Eco di Venecia
14h: Gaiteiros Murilo Milanez e Valdino Mezzari
14h30min: Arca da Aliança
15h: Chama Viva
15h30min: Gaiteiros Leandro Scussel, Luís Gustavo Sprícigo e Valério de Bona
16h: Espírito e Vida
16h30min: Unidos pela Fé
17h: Voz Missionária
19h: Santa Missa Festiva, no Santuário, presidida pelo Reitor, Padre Valdemar Carminati, com participação especial do Coral Santa Cecília, de Zapatta, Itália, concelebrada pelo padre italiano Fábio Fiori.
20h15min: Momento de gratidão, no Santuário.
20h30min: Recital de Corais, no Santuário (Coral Santa Cecília - Zapatta/Itália, Coral Infantil Pequenos Peregrinos de Caravaggio, Coro do Santuário de Caravaggio, Coral São Marcos de Nova Veneza, Associação Coral Peregrinos da Montanha).
23h: Recolhimento.
 
Domingo, 01 de outubro - 50 anos de bênçãos
06h: Alvorada festiva pelas ruas de Caravaggio.
08h: Abertura da Quermesse de Confraternização, com barracas de alimentação no entorno do Santuário, com café colonial, doces, salgados e bebidas.
08h: Mostra de fotos históricas do Santuário, no Salão Anchieta.
08h30min: Acolhida de Autoridades Civis e Religiosas, no Salão Anchieta, com participação especial do Rotary Clube de Caravaggio.
09h: Santa Missa Solene, no Santuário, presidida pelo Bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach, com participações especiais:
- Coro do Santuário de Caravaggio (sob a regência do maestro Neri Antonio Milanez, autor do Hino do Jubileu)
- Peregrinos da Comunidade de Tenente - Jacinto Machado (Paróquia São Sebastião, de Praia Grande), que farão a entrada com a estampa original de Nossa Senhora de Caravaggio, trazida pelos imigrantes italianos;
- Religiosas(os) pertencentes às famílias de Caravaggio;
- Famílias benfeitoras da Construção do Santuário;
- Representantes da Indústria e Comércio do Distrito de Caravaggio - SIMEC;
- Pastorais e Movimentos do Santuário;
- Caravaggio Futebol Clube;
- Rotary Clube de Caravaggio;
- Seminaristas do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio
- Peregrinos da Comarca de Nova Veneza (Paróquias de Nova Veneza, Siderópolis, Treviso e Forquilhinha);
10h30min: Momento de gratidão, no Santuário.
11h: Bênção do Capitel - "Tudo começou por aqui", no jardim do Santuário, com participação especial de representantes idosos das famílias colonizadoras de Caravaggio.
12h: Almoço festivo, no Salão Benfeitores de Caravaggio.
- Apresentações de Palco Artísticas e Culturais:
13h30min: Roba da Ciodi
15h30min: Centro Educacional Pequeno Príncipe
15h45min: Centro Educacional Terezinha Paseto Spilere
16h: Escola Municipal de Caravaggio
16h15min: Escola de Educação Básica Humberto Hermes Hoffmann
16h30min: Corte e partilha do Bolo do Cinquentenário, no Pátio do Santuário.
17h: Encerramento da Quermesse de Confraternização.
18h: Celebração Eucarística, no Santuário, presidida pelo Reitor, Padre Valdemar Carminati, com participação especial do Coral Infantil Pequenos Peregrinos de Caravaggio, famílias colaboradoras da construção do Santuário e todas as equipes de trabalho das comemorações do Jubileu.
20h: Momento de gratidão, no Santuário.
20h30min: Encerramento das comemorações do Jubileu:
- Apagamento da Vela Símbolo do Cinquentenário, acesa em 01 de outubro de 2016
- Descerramento das Bandeiras
- Fechamento da Mostra de Fotos Históricas do Santuário
- Repicar dos Sinos
- Fogos de Artifício.

Histórico da construção até a inauguração do Santuário
 
No final do século XIX, imigrantes italianos se estabeleceram no Sul de Santa Catarina.  A esperança e a coragem para enfrentar as dificuldades encontradas na nova terra  eram  mantidas pela fé e costumes católicos, religião da grande maioria dos imigrantes. A fim de manterem a fé e na ausência de um pároco que os atendesse, os colonos rezavam o terço em suas próprias casas, diante de uma estampa de Nossa Senhora de Caravaggio, trazida da Itália.

Oportunamente, caminhavam até Nova Veneza, para assistirem a missa. Mais tarde, construíram um capitel à beira da estrada, em um tronco de árvore, e ali puseram a estampa da santa. "Não passavam à frente da Madonna sem descobrir a cabeça, benzendo-se e fazendo uma breve oração" (registro do Monsenhor Gregório Locks, no Livro Tombo do Santuário).
 
No ano de 1897, com tábuas plainadas à mão, constroem uma pequena capela de madeira para rezar o terço, aos domingos, e quando a chuva os impossibilitava ir à Nova Veneza. Em tempos de muita pobreza material e espiritual, o Padre Antônio Manno envia carta solicitando ao Bispo Diocesano Dom José de Camargo Barros a bênção da capelinha para então celebrar missas no local.
 
Em 1912, foi criada a Paróquia de Nova Veneza, pelo Bispo da Diocese de Florianópolis, Dom João Becker, que nomeou o Padre Miguel Giacca como primeiro vigário que veio da Itália para dedicar-se, de corpo e alma, aos imigrantes da nova paróquia. 
 
Em 21 de março de 1914, as famílias da Seção Rio Bortoluzzi recebem a licença para a construção de uma nova igreja, agora de alvenaria. Com a comissão composta por Giovani Spillere, Celeste Sachet e David Ferrari, inicia-se a construção. Com a colaboração de todos, inclusive das crianças da escola, que amassavam o barro dos tijolos com os pés com muita alegria, em 08 de setembro as poucas famílias do chamado Morro da Miséria, muito satisfeitas e orgulhosas, assistem à bênção da nova capela. Rapidamente, o Morro da Miséria passa a ser a casa da Mãe que intercede por seus filhos. Graças e milagres multiplicam-se. Em torno à igreja tem início um pequeno vilarejo. As festas tornam-se cada vez mais grandiosas.
 
Com a criação da Diocese de Tubarão, em 1955, e nomeado o novo Bispo, Dom Anselmo Pietrulla, as famílias de Caravaggio oferecem, em doação à nova diocese, 22 hectares de terra, a fim de ser construído ali um pré-seminário, pois o desejo das famílias era de ter um padre permanente.  O seminário teve a bênção da pedra fundamental, mas não se concretizou o que deixou o povo demasiadamente descontente.  Em 1957, Dom Anselmo Pietrulla, em visita a Caravaggio, incentivou o povo na devoção a Nossa Senhora de Caravaggio e prometeu conceder à capela o título de santuário.
 
Em 1961, o Bispo nomeia o Padre Gregório Locks pregador diocesano de retiros e dá-lhe liberdade de escolher onde quer fixar-se. O mesmo, para alegria do povo, escolhe Caravaggio. O desejo do povo de elevar o nome de Caravaggio era grande. Monsenhor era um homem audacioso e tinha o projeto de construir um santuário majestoso. Sem muitos recursos, Deus e Nossa Senhora de Caravaggio foram providentes e, em 01 de outubro de 1967, o Santuário foi inaugurado.
 
Iniciadas as demarcações, em 25 de julho de 1963, "com muito entusiasmo" (palavras de Monsenhor Gregório Locks), tem início o fundamento do grande templo. Para a concretagem das vigas do fundamento foram utilizadas 200 bolsas de cimento e todos os recursos disponíveis. Com o povo firme em seu propósito, decidiu-se pela colaboração mensal das famílias por um ano, assim teriam recursos para continuar. Alcides Minatto foi o pedreiro responsável, auxiliado pelos moradores de Caravaggio, que se revezavam voluntariamente.
 
O novo templo com, aproximadamente, 800 m² de área interna, tem a forma de cruz, com quatro partes iguais de 40 metros de comprimento além do centro. Os recantos externos, formados pela cruz, foram aproveitados para áreas de dois andares, sendo que na parte superior ficariam quatro salas de catequese e na parte inferior uma capela do Santíssimo, batistério, sacristia e quatro saletas para confissões. Aos fundos, uma gruta com a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio e acima, sobre uma muralha de pedras, Jesus Crucificado.
 
Em 1964, as paredes continuavam a subir, sendo que, na festa de maio, a missa foi celebrada dentro da construção ainda sem cobertura. Nem por isso, a missa deixou de ser solene e contou com a presença dos seminaristas da Diocese. No mês de julho, os carpinteiros deram início à armação do telhado. No centro da grande cruz, o desafio da obra, com um vão livre de 22 metros. Depois de muitas discussões, chegou-se a uma solução e no dia 18 de novembro foi concluído o trabalho da armação, sendo que no dia 20 o telhado foi concluído. Mais de 70 colaboradores trabalharam na obra. A grande cobertura impressionava.
 
Ao final do mesmo ano, o povo de Caravaggio comemorou, com grande festividade, os 25 anos de sacerdócio do Monsenhor. Aproximadamente 30 padres, junto ao bispo, participaram da missa em ação de graças.
 
No ano de 1965, as obras continuaram animadas. Na festa de maio, os romeiros se admiravam com o adiantamento das obras. Nesse ano foi coroado o rei da festa, a fim de arrecadar fundos e dar continuidade à construção. Nesse ano foram rebocadas as paredes externas e internas, os carpinteiros, na colocação do forro de Eucatex e as quatro frentes externas foram decoradas em painéis de azulejo, generosamente doados por famílias de Caravaggio: o painel da frente principal, da Aparição de Nossa Senhora de Caravaggio, por José Spillere e família; aos fundos, a Aparição de Nossa Senhora Aparecida, por Jácomo Milanez e família com João Sachet e família; ao sul, a Aparição de Nossa Senhora de Lurdes, por André Milanez e família com Silvestre Milanez e família; ao norte, a Aparição de Nossa Senhora de Fátima, por Valentim Spillere e família.
 
Em 1966, os trabalhos desaceleraram e as contribuições mensais das famílias foram suspensas. Pensou-se em empréstimos mensais ? 50 contribuintes, mesmo assim pouco se fez. A primeira missa do Frei José Milanez, filho de Caravaggio, marcou o ano de 1966, no dia 17 de setembro. O povo de Caravaggio celebrou com uma grandiosa festa.
 
O ano de 1967 foi glorioso. Para os eventos da festa de maio, foi concluída a colocação do piso de marmorite e a pintura dos painéis no interior do santuário. Um mineiro das minas de carvão, artista até então desconhecido, apareceu ao acaso. O incansável mineiro, aos domingos e descanso noturno, dedicou-se inteiramente à pintura das quatro grandes telas: Anunciação, Nascimento, Bodas de Caná e Cristo Crucificado. No dia da festa foram abençoados o sino, as capelas do Santíssimo e do Batistério, os painéis internos e externos, o órgão eletrônico e o altar de granito. Os romeiros encantaram-se com o majestoso templo em fase de conclusão. A 1º de outubro deste mesmo ano seria consagrado a Deus. Para a inauguração, foi organizada uma grandiosa festa.
 
Após cinco anos de incansável e dedicado trabalho das 90 famílias da época, fé em Deus e em Nossa Senhora de Caravaggio, e a colaboração das mais próximas e longínquas comunidades da Diocese por onde Monsenhor chegou, Caravaggio estava pronto para levar seu nome e a intercessão de Nossa Senhora a todos os lugares aos quais pudesse chegar. Ainda hoje, todo dia 26 é celebrada uma missa a todos os benfeitores do santuário. As famílias descendentes daqueles pobres colonos que recorreram à Mãe para aliviar as angústias, as incertezas, a falta de recursos materiais ou espirituais, podem orgulhar-se de ter ultrapassado os limites da Diocese, do Estado de Santa Catarina e do Brasil. Temos obrigação de honrá-los e dar continuidade a este sonho. Uma semente que germinou e deu frutos.
 
Durante os festejos de inauguração, foram programadas muitas solenidades. Para fazer a consagração, foi convidado o Núncio Apostólico do Rio de Janeiro, o Bispo Dom Anselmo Pietrula, o Governador do Estado Ivo Silveira, todos os demais bispos de Santa Catarina, o Bispo de Caxias do Sul (RS) e o clero secular e regular da Diocese. Foram convidadas também as congregações marianas, para uma concentração de toda diocese. As filhas de Maria compareceram de uniforme branco, os congregados com suas insígnias, sacerdotes e religiosas das mais diversas congregações.
 
Para a divulgação do evento, foi feita uma intensa propaganda em toda a Diocese: cartazes com fotos do Santuário foram colocadas nas vitrines do comércio, igrejas e colégios. Foram distribuídos cinco mil programas, diversas rádios fizeram a cobertura do evento histórico. O número de romeiros foi calculado em 15 mil. Durante todo o dia, a gruta da cripta recebeu milhares de fiéis, o que viria a recorrer nos anos que sucederam à consagração, até os dias de hoje. Foram carneados sete bois e outro logo após a missa. Mesmo assim, muita gente deslocou-se para Criciúma e Nova Veneza para almoçar.
 
Nos domingos seguintes, grande número de carros e romeiros dirigia-se a Caravaggio. Até o fim do ano, houve muitas excursões, mesmo em dias de semana.  Hoje é uma prática rotineira. Diariamente, fiéis que passam pela região visitam o Santuário.

Foto de 1975

Romaria 2016

Missa do Crisma 2016

Gruta no interior do Santuário