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Pastoral Carcerária Nacional visita Penitenciária Feminina

Data de Publicação
26
2018
06
Terça-feira
12h39
26 de Junho de 2018 12h39

Os agentes da Pastoral Carcerária da Diocese de Criciúma acolheram uma importante visita na manhã da quinta-feira, 21. Duas unidades prisionais localizadasno município de Criciúma foram visitadas pela Coordenação Nacional da Pastoral Carcerária, através da coordenadora, Irmã Petra Pfaller (IMC), e da assessora, Vera Dalzotto, além da Coordenação Estadual, representada pelo coordenador, padre Almir Ramos, e pela secretária, Virgínia.
 
Após a acolhida com um café na comunidade Santo Antônio, no bairro Quarta Linha, os agentes da Pastoral Carcerária da Diocese de Criciúma acompanharam os visitantes até a Penitenciária Feminina, onde tiveram uma conversa com a direção da unidade, conheceram as instalações e dialogaram com algumas reclusas. Irmã Petra conversou com a diretora, Vanessa Collares, fazendo algumas perguntas a fim de conhecer a realidade da unidade. Conforme a diretora, as agentes penitenciárias receberam formação específica para atuar com as reeducandas, cuja maioria cumpre regime fechado. A Penitenciária Feminina, com capacidade para até 286 vagas, está com 270 mulheres. Durante a visita, o grupo da Igreja foi conduzido até o berçário da unidade, onde encontraram gestantes e mães com seus bebês.
 
Conforme dados passados pela diretora, Santa Catarina conta com cerca de 1,1 mil presas, sendo esta a primeira penitenciária feminina do Estado, enquanto outras três estão sendo construídas. Em entrevista à coordenadora nacional, Vanessa afirmou que existem 240 convênios de trabalho nas unidades prisionais, sendo que a Penitenciária Feminina de Criciúma, inaugurada em janeiro deste ano, conta com dois no momento: um no setor de confecção de roupas e outro no ramo de panificação. Segundo a diretora, as reclusas serão certificadas com cursos profissionalizantes nessas áreas. Após a visita à unidade feminina, o grupo se deslocou até a Penitenciária Sul, conduzida pela diretora Maira Montegutti, a quem Irmã Petra também fez perguntas sobre a realidade local.
 
O motivo da visita das coordenações nacional e estadual às penitenciárias na Diocese de Criciúma, especialmente à feminina, está relacionado ao tema do encontro que reuniu dezenas de agentes da Pastoral Carcerária de todo o Regional Sul 4 da CNBB, neste fim de semana, na Diocese de Caçador: as questões relacionadas à mulher presa. A equipe pretende, ainda, visitar outras penitenciárias do Estado. Segundo o coordenador regional, padre Almir, todas as dioceses de Santa Catarina contam com equipes bem atuantes, que congregam mais de 300 pessoas, com um trabalho que conta com apoio e boa abertura de padres e bispos.

Padre Almir, há cinco anos a frente da coordenação no Regional, destacou pontos positivos em sua visita. "Há um número grande de pessoas que participam aqui e a atuação deles é muito boa, semanalmente, dentro dos presídios, com boa abertura deles para a pastoral, sendo que a própria direção do presídio afirmou que a pastoral colabora muito. Minha avaliação é das melhores. Saio daqui contente, percebendo que a pastoral está dando muitos frutos", disse.
 
O coordenador regional também fez uma avaliação positiva sobre o que viu na Penitenciária Feminina. "Eu saio com uma boa impressão da penitenciária. É um espaço que a gente percebeu que tem berçário, enfermaria, consultório, estudo. Tudo muito limpo e organizado. É um local que dá para desenvolver um bom trabalho e que a Pastoral precisa ter mais presença, apesar de já estar bastante presente e firmar mais parcerias, para que realmente o trabalho aconteça", ressaltou.

Segundo a coordenadora nacional, Irmã Petra Pfaller, o Brasil está em quinto lugar entre os países com maior número de mulheres encarceradas. O último senso do Infopen apontou 45 mil mulheres presas e a existência de muitos presídios mistos. "São poucos presídios que são especificamente para mulheres, como visitamos hoje. A invisibilidade da mulher presa, no sistema prisional, ainda é bastante precária. O sistema é feito por homens e para homens e as mulheres ficam sempre ao lado. Aqui em Santa Catarina, ouvimos falar hoje que há uma secretaria penitenciária com olhar específico para mulher. Hoje vimos um presídio aparentemente bom; mas não é bom. Nenhum presídio é bom, nenhum presídio é bonito. Prisão é prisão, prisão é desumano. A pessoa humana não é feita para ficar entre as grades. Podem ser grades de ouro, algemas de ouro, ainda são grades. É doloroso ver as mulheres gradificadas; mãos atrás, cabeça para baixo, faixa amarela no corredor. Não são sujeitos de si. É muito complicado isso. Questão de segurança acima de tudo. Têm opções também aqui de trabalho e se Deus quiser vai ter mesmo trabalho. Tem que trabalhar por diversas razões para sustentar os filhos que estão fora, ocupar-se, aprender uma profissão. Isso, sem dúvida, é importante. O que sempre me chama a atenção são as crianças que estão no presídio. Tem uma maternidade, tem berçário pintado, bonito, brinquedos, mas é prisão. As crianças passam os primeiros anos de vida na prisão, escutam o barulho da prisão,das grades,dos cadeados; não tem verde, não tem terra, não tem areia. Então tirar as crianças? Não! Tirar a mulher, a mãe com as crianças. Hoje existe uma legislação que permite a prisão domiciliar, então acho que o governo pode dar mais atenção. A própria ministra Carmem Lúcia faz muita insistência para que haja maternidades, para melhorar o presídio feminino e para as crianças, mas a Pastoral Carcerária nem quer maternidades, berçários lá dentro, porque é prisão e a legislação nacional e internacional permite a prisão domiciliar. Nós somos dessa linha de realmente insistir e pedir ao poder judiciário para aplicar a lei a favor da criança", declara a coordenadora nacional da Pastoral Carcerária.
 
De acordo com Irmã Petra, além da questão da maternidade dentro da prisão, existem outras frentes defendidas pela Pastoral Carcerária. "Outra questão é a saúde: o corpo da mulher é diferente do homem. Que tenha uma equipe técnica específica para questões das mulheres, a mulher tem mama, tem útero, é diferente. Outra questão importante é a questão da tortura. O que é tortura hoje? Não é só bater. A tortura infraestrutural é totalmente abaixo da dignidade do ser humano. Andar anos de laranja e com um número. Imagine como você se sente. Você não é mais sujeito. Você é número? Qual é a sua matrícula? Isso é tortura infraestrutural. Há presídios onde o banho de chuveiro com xampu é de três minutos a cada dois dias e cada 15 dias um banho com 'gilete', então, a mulher não pode nem decidir quando lava cabelo ou não. Em Criciúma, elas têm chuveiro junto, então acho que não tem essa regulamentação. Tortura e questão de mundo sem prisão. Parece utopia, mas cada mulher que recebe prisão domiciliar, que recebe indulto - hoje tem o indulto de dia das mães, é muito importante. Que a Pastoral Carcerária olhe a questão do indulto, faça análise para dar esse perdão que rezamos a cada dia no Pai Nosso", declarou a coordenadora.
 
Após a visita, a Paróquia de Quarta Linha acolheu a todos para um almoço de confraternização, que contou com a presença do Bispo Diocesano, Dom Jacinto Inacio Flach, do Coordenador Diocesano de Pastoral, padre Joel Sávio, e do padre Orlando Cechinel. Em sua fala, Dom Jacinto elogiou as estruturas nas unidades penitenciárias de Criciúma e manifestou sua satisfação com o serviço prestado pelos agentes de Pastoral Carcerária na Diocese.