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Não, não acabou, mesmo. Ele está de volta!

Data de Publicação
20
2016
04
Quarta-feira
11h41
20 de Abril de 2016 11h41

Os discípulos fizeram a experiência mais amarga de suas vidas ao presenciar, mesmo que de longe, como afirmam Mateus (27, 55), Marcos (15, 40) ou, aos pés da cruz, como afirma João (19, 25), a crucificação do Mestre. Dispersos no meio da multidão ou escondidos por medo de serem reconhecidos, o fato é que os apóstolos não estavam presentes, (Mc 14, 50); acompanhavam o desfecho com coração apertado de dor.

Quando Jesus foi colocado naquele sepulcro, aparentemente foram sepultados todos os sonhos e esperanças de liberdade e de justiça que, até então, os discípulos haviam acalentado em seus corações. Os inimigos festejavam porque tinham eliminado aquele que "perturbava" a sociedade com ideias contrárias ao sistema. Os amigos e familiares batiam no peito, tentando aliviar aquela dor alucinante. Tudo parecia perdido.

"Calaram" a voz que silenciava a multidão quando falava do amor, do perdão e do céu. "Podaram" os gestos daquele que, muitas vezes, estendeu as mãos para reerguer quem estava caído. "Vedaram" os olhos que refletiam tanto amor, tanta misericórdia quando olhava para a multidão (Mt 9, 36)."Amarraram" os pés daquele que caminhava, incansavelmente, indo ao encontro dos afastados, porque queria misericórdia e não sacrifício (Mt 9, 13).

Mas o tempo se avança aceleradamente e o que ninguém esperava aconteceu. Agora, se inverteu a situação: quem batia no peito e chorava, olha para o céu a sorrir, escancaradamente; e aqueles que faziam festa, agora são eles que batem no peito, irados, sem compreenderem o que se passa. Diante das notícias da ressurreição, apelavam para a mentira, acusando os discípulos de roubarem o corpo (Mt 28, 13).

Os discípulos olhavam, atônitos, o Ressuscitado diante deles. Eles quase não acreditavam no que os olhos estavam vendo. Aquele que fora deixado, na calada da noite, em um sepulcro emprestado, sem vida, ressurge com toda a vitalidade.  Sim, é Jesus, o nazareno. Ele venceu e revela sua grandeza e majestade. Como alguém que volta depois de muito tempo afastado dos que ama, Ele vai ao encontro dos seus. É o seu amor que o impulsiona ao encontro dos discípulos. Ele revela-se a Maria Madalena, no jardim, e manda que ela vá anunciar aos irmãos (Jo 20, 15-18); Ele vai ao encontro dos discípulos de Emaús que retornavam para casa, sem esperança; caminha com eles; fala-lhes ao coração e "esclarece" as Escrituras (Lc 24, 25). Suas palavras, pelo caminho, fizeram o coração deles voltar a arder novamente, de uma forma que eles não compreendiam no momento. Ele senta à mesa, parte e reparte o pão, revela-se: é Ele, o pão da vida (Lc 24, 30).

Mas não parou por aí... Como quem tem pressa e não pode perder tempo, Ele apareceu ao grupo reunido, desejou-lhes a paz, mostrou-lhes suas feridas (Lc 24, 39). Teve aquele que perdeu o encontro, aquele para quem não bastou ouvir falar, precisou ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos para acreditar. Mas a cena se repete e, para alegria geral, ele consegue tocar em suas feridas para comprovar que o que os olhos estão vendo é a pura verdade. "Meu Senhor e meu Deus", diz ele, num ímpeto do Espírito Santo (Jo 20, 28). Sim, Ele ressuscitou.

É na beira do lago que Ele prepara o alimento e dá pão e peixe assado aos pescadores (J0 21, 9). Ali, próximo da canoa de pesca, da rede cheia de peixes, Ele questionou se Pedro o amava de verdade. Diante a insistente pergunta, três vezes, Pedro se perturba, mas não vacila mais: "Tu sabes tudo. Tu sabes que eu te amo". A contra resposta não podia ser outra: "apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21, 17). O verdadeiro amor se concretiza no serviço.

No corre-corre, retomando as atividades, os discípulos não haviam esquecido-se das coisas que faziam muita diferença na vida deles com o Mestre. Cada palavra, cada gesto, cada expressão facial permanecia nas recordações. Certamente, essas recordações eram como bálsamo para acalmar a dor da perda. Mas agora a história mudou. Os discípulos voltaram a se reunir ao redor do mestre. Por um tempo, eles terão o amigo junto deles; Ele que, como ninguém, sabia compreender o coração de cada um porque seu olhar penetrava-lhes a alma.

Estamos vivendo um tempo muito conturbado. O que menos se ouve falar é de ressurreição, de esperança. A sociedade está dividida pelo muro das ideologias. Tudo parece perdido. O mundo vive um caos porque, há muito tempo, o ser humano virou as costas para Deus. Mas há esperança sim, porque Ele ressuscitou. A cruz não foi a última palavra. Ela foi o trono de glória onde se assentou o Rei no universo. Enquanto houver na terra quem olhe para a cruz e consiga enxergar o Ressuscitado, certamente se renovará a esperança.

Que Jesus, caminho, verdade e vida, nos conduza sempre pelas veredas da verdade. Que o Bom Pastor não nos deixe dispersar nesse imenso campo onde estamos espalhados, buscando "pastagens verdes e água pura". Ele é a fonte de água pura, Ele é o pão da vida.

Grande e fraternal abraço.
 
Padre Antonio Mendes