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Diretora da Penitenciária Feminina agradece apoio da Pastoral Carcerária

Data de Publicação
08
2018
11
Quinta-feira
12h32
08 de Novembro de 2018 12h32

Durante quase um ano ela esteve à frente dos trabalhos na Penitenciária Feminina de Criciúma. A diretora Vanessa Colares de Bitencourt, próxima do momento de deixar sua função a frente da unidade prisional, destaca a atuação dos agentes da Pastoral Carcerária da Diocese de Criciúma, que prestam assistência religiosa às mulheres ali reclusas. "Desde o início das atividades, aqui, a Pastoral se mostrou parceira e ajudou em muitas situações. A unidade está operando em sua capacidade de 286 internas. Trabalhamos com  cinco pilares essenciais que visam a ressocialização, sendo eles, a oferta de trabalho, saúde,  educação, reaproximação familiar e assistência religiosa. O acompanhamento espiritual é muito importante para qualquer pessoa que esteja presa. A visita da Pastoral Carcerária acontece uma vez por semana. Elas acompanham as mulheres presas, conversam, acalmam, rezam com elas. Isso reflete, diretamente, no comportamento dela em relação aos problemas que enfrenta, seja de ordem familiar ou até mesmo de convivência. Muitas tem histórico de uso de drogas antes da prisão. A assistência religiosa tem mais importância diante de todas as outras questões. A preocupação não será exclusiva com a segurança, porque, por si só, o acompanhamento espiritual equilibra todas as questões emocionais que possam vir a gerar qualquer problema", explica a diretora.
 
Vanessa destaca, ainda, a atuação social da Pastoral Carcerária no projeto de reaproximação familiar. "A presa mulher difere do homem porque, via de regra, ela é abandonada no curso da execução de sua pena: 54% das presas entraram pelo crime de tráfico e a grande maioria delas tem o companheiro preso e, por isso, elas não têm visita. Os filhos vão para o abrigo ou a mãe ou algum familiar cuida e fica sobrecarregado, não vindo visitá-las na unidade. Uma palavra de conforto, de alento tem um valor muito grande para quem está nessas condições. Como visamos reaproximar essas internas do convívio familiar, nós, em parceria com a Pastoral Carcerária, fizemos um trabalho fotográfico nas duas oficinas que empregam mais de 100 reclusas, de costura e de panifício. Tiramos fotos de todas as internas, com o uniforme das empresas, trabalhando e a mensagem era como se elas dissessem: 'Eu ainda valho a pena! Venha me ver! Estou bem, mudei'. Com ajuda da Pastoral, as fotos foram reveladas e doadas, com envelope e selo para que mandassem a seus familiares. O Natal se aproxima, as pessoas ficam mais sensíveis e nosso intuito é que a família venha e também seja parceira delas nessa mudança. É uma vida de muito sofrimento; não há razão de não tentar mudar isso e nós continuamos incutindo, falando muito sobre isso com elas. E o papel principal da Pastoral é essa palavra de esperança, de alento. Esse acompanhamento delas tem que ser periódico! A parceria das entidades religiosas com a unidade prisional tem que funcionar muito bem, porque reflete, diretamente, inclusive nos servidores que trabalham aqui", pontua.
 
Na Penitenciária Feminina, as missas são realizadas uma vez por mês, com auxílio da Pastoral Carcerária e apoio dos padres Orlando Cechinel e Gilson Pereira. "É muito importante, porque quando a pessoa é presa, ela até esquece o que fazia fora e, ali, se reconecta um pouco com a sociedade. Vale frisar que o perfil da presa mulher muda completamente para o preso homem. A necessidade de assistência e apoio psicológico e espiritual é maior. Por trás de uma mulher, tem o histórico de uma família, tem criança e a gente sempre vê o homem em unidade prisional reclamar mais do que é material, como o chuveiro que não esquenta, por exemplo; enquanto a mulher são os filhos que não vieram, a mãe que não os trouxe. As demandas são diferentes. É mais emocional", explica Vanessa.
 
Desde o início do ano de 2018, a equipe formada por oito agentes, uma religiosa, quatro postulantes e dois padres, presta assistência espiritual às reeducandas da Penitenciária. O grupo é coordenado pela leiga Albertina. "O trabalho que é feito na Penitenciária Feminina foi, para mim, uma nova experiência, um trabalho muito gratificante em fazer as visitas e elas pedirem para a gente voltar. A sociedade pensa que estamos lá para defendê-las, mas a gente está lá para levar uma palavra de carinho e a Palavra de Deus, além de escutar. A gente escuta muito o que elas têm para falar. A Pastoral Carcerária se empenha em fazer o que pode, pois não temos recursos. Tentamos fazer o melhor e isso é muito gratificante", ressalta Albertina.
 
Para o padre Orlando Cechinel, a atividade é muito válida. "Foi uma experiência nova vendo aquelas mulheres todas, mães, algumas grávidas, carentes de tudo. Uma experiência que chama atenção e mostra também a fragilidade das coisas. O que podemos fazer é ser uma presença lá dentro, é isso que ajuda. Eu gosto, só que se atinge poucas pessoas nas celebrações, mas aquelas que vêm, a gente nota que têm sede de uma palavra, de um contato, da presença. Cada vez que a venho embora de lá, volto pensativo sobre cada pessoa humana. O ser humano não foi feito para ficar preso, mas para ser livre; só que, diante das situações, toca pagar pelos erros cometidos. É sempre uma experiência positiva: cada pessoa que cumprimento, converso, sai enriquecida e a gente também!", declara padre Orlando.