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De volta à casa, saudades e gratidão...

Data de Publicação
24
2017
01
Terça-feira
13h17
24 de Janeiro de 2017 13h17

Eis que chegou a hora de retornar. Volto porque acabou meu tempo. Mas em nenhum momento me desgostei da missão ou me arrependi de partir para uma terra desconhecida. Quando decidi dedicar minha vida à Igreja pelo sacerdócio, pronunciei o "sim" definitivo aceitando o que viesse depois, como vontade de Deus para minha vida. 
 
Em agosto de 2012, me deixei conquistar pela proposta de missão do projeto Igrejas Irmãs, quando dom Rodolfo, bispo de Cristalândia na época, nos visitou e apresentou as necessidades da prelazia. Entre todas as necessidades, destacou que precisava de padre. Em outubro daquele mesmo ano, depois de ter conversado com dom Jacinto, bispo de Criciúma, dando minha resposta à Igreja, foi  anunciado na assembleia diocesana a minha partida para a missão: "Aqui estou, envia-me". 
 
Na primeira semana de fevereiro de 2013 fiz as malas e, acompanhado dos amigos Odirlei Alves Adriana silva, Zenaide Mendonça Goulart e Odilon Goulart, parti para o Estado de Tocantins. As poucas coisas que sabia eram o nome da cidade, as condições de carência, a necessidade de padre. Para mim eram suficientes essas poucas informações. Mas dentro de mim haviam muitos questionamentos que só o tempo iria responder. No dia 08 de fevereiro de 2013 cheguei à Paróquia Santo Antônio, em Dueré (TO), minha terra de missão.
 
As primeiras imagens foram marcantes. Os primeiros contatos com as pessoas, primeiras conversas, primeiras histórias. Tudo era novidade, principalmente o povo e seus costumes, sociais e religiosos. As primeiras semanas, primeiros meses foram só descobertas, tempo de reconhecimentos; tempo de observar, refletir e aprender. Derramei lágrimas de saudade, de angústia, de incertezas, mas nunca de arrependimento ou decepção. Senti-me amado desde os primeiros dias. 
 
Tornei-me um membro da comunidade. Ouvi seus problemas, consolei-os em suas dores, enxuguei suas lágrimas, alimentei seus sonhos, fortaleci sua esperança. Construímos um amor recíproco. Hoje sei que não foi em vão minha vinda e sei também que não foi unicamente minha opção. Deus conduziu meus passos até aqui e desde as primeiras e pequenas coisas cativou meu coração por esse povo. 
 
Embora eu tenha me encantado com a missão, devo compreender que é hora de voltar para que outro também possa partir. O projeto não é meu, e sim da Igreja que envia e chama de volta quando sabe o tempo certo. Deixo para trás muito de mim e levo comigo muito mais. Volto marcado no coração e essa marca permanecerá comigo para toda a vida. Será sempre como uma chaga de amor que me recorda o melhor de mim e também as minhas limitações e fraquezas. Foi um tempo de muito aprendizado. 
 
Aprendi que missão é  um caminho de entrega, de doação; aprendi que onde não há partilha também não haverá multiplicação (Jo 6,9); também não haverá colheita se não houver quem semeie; aprendi que o bom semeador nunca perde a esperança de uma boa colheita; aprendi que a missão é um ato de amor abnegado onde se deve dar tudo de si sem esperar receber de volta; se não estiver todo, inteiro, completo em cada ação, não é entrega. Compreendi Jesus quando diz que não se pode ficar olhando para trás depois que se põe as mãos no "arado". Sobre a colheita futura, lembro a Palavra de Deus quando diz: um é quem semeia e outro é quem colhe (Jo 4, 37). Creio e confio que outros farão o melhor de si, como eu fiz o melhor de mim. A missão vai continuar.
 
Desmanchar as malas e organizar as coisas na chegada, não foi tão difícil quanto arrumá-las para regressar. Ainda bem que as recordações que levarei não ocupam espaço; elas cabem todas no coração e sempre me acompanharão onde eu for. Muitas imagens dos momentos vividos; histórias que arrancaram risos, lágrimas; testemunho de fé e coragem de um povo simples cujas raízes estão espalhadas em outros estados de onde se originaram. Para cá vieram em busca da realização dos seus sonhos. Aqui formaram família, construíram, conquistaram, perderam, foram felizes e também sofreram. Um povo com uma caminhada de muitos anos; eu entrei nessa caminhada e hoje me orgulho em fazer parte dessa história. 
 
Quem parte leva saudade. Levarei também muita gratidão em meu coração. Gratidão a Deus que me proporcionou viver esses quatro anos em missão.
 
Gratidão ao presbitério da prelazia de Cristalândia pela acolhida, simpatia, amizade, confiança, companheirismo. Os encontros de estudos, os retiros, as reuniões, os momentos de lazer sempre me proporcionaram muita alegria, satisfação e principalmente fortalecimento da fé. Deus os mantenha em comunhão fraterna para que sejam sinal do Reino de Deus na Prelazia.

A vocês, religiosas que atuam na Prelazia de Cristalândia, agradeço o testemunho de vida e dedicação à Igreja. A presença de vocês na missão, o cuidado de vocês para com as pessoas me recorda a imagem da mãe amorosa. Que Deus devolva em vocações às vossas congregações tudo o que vocês fazem por essa Igreja particular.
 
Ao Bispo Dom Rodolfo Luiz Weber, que me acolheu e me acompanhou nos trabalhos por três anos, muito obrigado pela confiança e atenção. Desejo que sua missão continue dando muitos frutos para a Igreja.
 
Ao Bispo emérito Dom Heriberto Hermes, de quem sempre me recordarei como exemplo de determinação e coragem, sua presença fiel em todas as realizações da prelazia recorda que o compromisso com a Igreja não depende da idade ou condições de saúde que temos. Pastor fiel e sempre presente. Deus o abençoe com saúde e longevidade.
 
Meu carinho fraterno aos seminaristas da Prelazia com quem convivi. Foram breves momentos, mas sempre me faziam sentir orgulho de fazer parte da família, dessa Igreja particular. Peço a Jesus, o Bom Pastor, que confirme a vocação de cada um para que o povo da prelazia de Cristalândia seja sempre bem servido com bons padres, segundo o coração do divino mestre.
 
Aos funcionários da cúria prelatícia: Acássia, Mercês, Silvia, Anailda e Eduardo agradeço pela carinhosa acolhida de sempre. Levá-los-ei num espaço especial do meu coração.
 
Também louvo e agradeço a Deus pelas lideranças e coordenações das pastorais e movimentos. Com o trabalho que vocês realizam, tendo que muitas vezes abdicar da família e amigos, tornam-se exemplo para nós padres que fomos preparados exclusivamente para isso e às vezes deixamos a desejar. A você, especialmente, meu amigo e intercessor, Deusivaldo Leonco Ferreira, dedico minhas orações e desejo de muito sucesso na vida familiar, trabalho e na missão que a Igreja vos confiou.
 
Aos amigos fiéis, pessoais e virtuais, que sempre me acompanharam de longe com orações e mensagens tornando a distância mais curta e o peso da responsabilidade mais leve, muito obrigado por serem tão presente em minha vida me encorajando e recordando como Deus é bom.
 
Ao povo de Dueré, se eu pudesse abraçaria um por um e agradeceria com palavras que brotam do meu coração. Fico escolhendo palavras e parece  impossível escrever algo sem me emocionar. Meus catequistas, ministros, equipes de liturgia, agentes do dízimo, equipe da pastoral do batismo, coroinhas, acólitos, grupo adorai, grupo de jovens JAC e JM. Vocês me acompanharam na difícil missão de evangelizar. Agradeço muito toda disponibilidade de vocês. Que as graças de Deus na vida de vocês e da família sejam a recompensa de Deus por tudo que vocês fizeram por mim. Sem vocês eu não poderia ter feito tudo que fizemos. 
 
Aos amigos especiais que, mesmo não fazendo parte de nenhum grupo de pastoral, nunca se negaram quando recorri pedindo ajuda nos festejos, novenas, eventos paroquiais. Levarei em meu coração a recordação das alegrias que vivemos e as experiências que partilhamos. Só Deus pode recompensar a cada um por tanto carinho pela minha pessoa. 
 
A vocês, fiéis dizimistas, doadores de prendas é demais paroquianos que sempre colaboraram para as obras da paróquia, desejo que cada oferta dada se transforme em benção especial do céu na vida de vocês. 
 
A todos vocês que nesses quatro anos foram pais e mães, irmãos e irmãs para mim não tenho outra coisa para deixar a não ser o meu coração cativo. 
 
Deus abençoe a cada um com muita abundância.
 
Padre Antônio Mendes

MISSÃO IGREJAS IRMÃS
DIOCESE DE CRICIÚMA E PRELAZIA DE CRISTALÂNDIA