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Capítulo II. A Igreja que Deus quer

70. Durante todo o processo de planejamento pastoral e de elaboração do Plano Diocesano de Pastoral, uma pergunta esteve presente norteando nosso trabalho: Que Igreja queremos ser? As respostas vindas das lideranças, das comunidades, do povo de Deus, apontavam sempre para o sonho de uma Igreja mística, cujos traços, inspirados na Trindade Santa, motivem nossa ação pastoral e respondam à nossa opção de ser uma Igreja que conduz para o encontro com o Cristo vivo. Assim, mais do que ser a Igreja que nós queremos, é a Igreja que Deus quer que devemos construir, fiel a Cristo e a seu Povo. Daí a necessidade de voltar às grandes fontes da fé – a Escritura, a Tradição, o Magistério e o sentido da fé dos fiéis (o sensus fidei) – para tirarmos desse tesouro a riqueza de nossa concepção eclesiológica.

71. A Conferência de Aparecida nos convoca a ultrapassar uma pastoral de conservação ou manutenção, para assumir uma pastoral missionária, que chamou de conversão pastoral. Aponta a conversão pastoral como caminho para a ação evangelizadora: “Uma verdadeira conversão pastoral deve estimular-nos e inspirar-nos atitudes e iniciativas de autoavaliação e coragem de mudar estruturas pastorais em todos os níveis, serviços, organismos, movimentos e associações. Temos necessidade urgente de viver na Igreja a paixão que norteia a vida de Jesus Cristo: o Reino de Deus, fonte de graça, justiça, paz e amor. Por esse Reino, o Senhor deu a vida” (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 26).

72. Por certo, ao reconhecer a mudança de época como o maior desafio a ser atualmente enfrentado, o discípulo missionário não se esquece das ameaças à vida de pessoas, povos e até mesmo de todo o planeta. Essas ameaças permanecem e necessitam ser, corajosa e profeticamente, enfrentadas. Olhar, portanto, para a mudança de época e para o necessário (re)enraizamento de critérios, longe de significar o afastamento dos problemas concretos e urgentes da vida de nosso povo, significa buscar uma base realmente sólida para enfrentá-los. Voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus Cristo, longe de significar a preocupação consigo mesma, coloca a Igreja no mesmo caminho do amor-serviço aos sofredores desta terra (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 27).

73. Diante da realidade social e eclesial que acabamos de ver e analisar, vem-nos à mente o que o Documento de Aparecida propõe, em grandes linhas: A Igreja e sua fidelidade a Cristo e fidelidade aos seres humanos. “A Igreja é comunhão no amor. Esta é a sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade” (DAp 161). A Igreja deve tornar-se cada vez mais na prática aquilo que ela já é na sua essência: comunidade missionária. Comunidade que reflete na terra o amor e a comunhão que existem entre as pessoas da Santíssima Trindade. Comunidade que quer viver na terra do mesmo modo como as três pessoas divinas, que tudo fazem em vista do Reino de amor, paz e justiça: “Assim na terra como no céu”. A Igreja deve ser ícone terreno da Trindade celeste.

74. Para continuar sua missão evangelizadora, a Igreja, como comunidade missionária, deve marcar-se por seis aspectos:
a) A alegria pascal que brota da vivência no seguimento radical do Senhor;
b) A santidade de quem fez a experiência de Deus no encontro com Jesus Cristo;
c) A vida de comunhão na participação, partilha e ministerialidade;
d) A formação na catequese permanente e inculturada que dispõe para o discipulado;
e) A Igreja em estado permanente de missão;
f) O serviço em defesa da vida.