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A Palavra de Deus celebrada e vivida para que n'Ele nossos povos tenham vida

Data de Publicação
15
2016
09
Quinta-feira
12h09
15 de Setembro de 2016 12h09

Em nossas celebrações sempre saudamos a assembleia reunida, dizendo: "O Senhor esteja convosco"; ao que o povo responde: "Ele está no meio de nós". É a certeza da presença real de Cristo no meio de nós que nos motiva a permanecer reunidos e celebrar. De outra forma, não teriam sentido nossos ritos. Jesus, o Cristo, é o principal motivo de vivermos como "irmãos e irmãs".
 
As celebrações litúrgicas devem ser sempre um momento de "festa celestial antecipada", porque ela é um "sinal" do encontro final da humanidade com Deus. Sem perder o caráter sacrifical da santa missa.
 
Quando nos reunimos na Igreja para a missa ou a celebração dominical, sentimos a alegria contagiante do encontro, do abraço, da acolhida de todos que chegam para participar da "festa antecipada do céu". Os "filhos" se encontram como o Pai num momento de grande alegria.
 
Infelizmente, grande número de fieis não têm a preocupação de participar de todo o rito da celebração. Muitos não se incomodam de chegar atrasados na missa. Levados pela impressão errada de que é sempre a mesma coisa, acham que podem escolher os momentos "mais importantes" da celebração.  No entanto a missa ou celebração é um ato litúrgico onde cada momento nos proporciona o "encontro com o Senhor". Tudo nos dá o próprio Cristo, desde a pessoa do irmão que nos acolhe e demostra alegria pela nossa presença, até o momento final, quando nos despedimos e voltamos para casa.
 
Pontuando essas considerações compreendemos que os "erros" que permanecem até mesmo nas equipes de liturgia dificultam esse "encontro com o Senhor". Quando, na pressa da última hora, as equipes não se preparam para realizar esse momento de encontro com o Senhor, acabam se tornando um obstáculo e dificultam a participação frutuosa dos fiéis.
 
É inegável e lastimável que ainda convivamos com celebrações em que os participantes são "arrumados" na última hora, cânticos sem sintonia com as partes da missa ou com o tempo litúrgico, conversas e cochichos entre membros da equipes, "ensaios" de notas musicais em momentos impróprios. Às vezes, dá a impressão de que transformam a celebração num "teatro" onde cada grupo está preocupado com a "sua apresentação teatral" e por isso não está "nem aí" com o restante do rito.
 
Mas somado a isso ainda temos a frieza e a indiferença das pessoas, tanto da assembleia celebrante quanto das equipes, que fazem com que a Palavra se transforme numa "comida que não alimenta". Por causa disso, muitos voltam para casa sentindo aquele "vazio interior" e a sensação de não ter encontrado o que foram buscar na Igreja.
 
Costumamos dizer que para Deus devemos dar o nosso melhor. Mas não é isso que acontece na maioria das vezes. Para Deus sempre fica o que "sobrou". Isso mostra que "celebrar um culto agradável a Deus" não é prioridade para nós.
 
Logo após o ofertório quando o padre diz: "Orai irmãos e irmãs..." a assembleia responde: "Receba, o Senhor, por tuas mãos esse sacrifício para a glória do seu nome, para o nosso bem e de toda a santa Igreja". Como podemos glorificar a Deus com uma ação litúrgica feita às pressas? Como podemos agradar a Deus com celebrações frias e sem sintonia com a vida? Como podemos atrair o bem para a humanidade se nem mesmo sabemos pedir, louvar, interceder? Esses são questionamentos que devem nos colocar em atitudes reflexivas para que possamos melhorar, cada dia mais, nossas ações litúrgicas.
 
Setembro é dedicado à Palavra de Deus. Devemos recordar que muitas pessoas somente têm contato com a Palavra de Deus quando participam da missa ou do culto dominical. Infelizmente, no corre-corre do cotidiano, não "sobra" tempo para o "alimento não perecível" que encontramos ao abrirmos as Sagradas Escrituras. Por isso, desde a proclamação das leituras até a homilia, devemos transmitir a mensagem bíblica sem erros para que todos sejam evangelizados. Claro, sem desconsiderar a importância de cada rito.
 
Na celebração litúrgica, somos equipes diferentes, mas formamos um só corpo. A sintonia das equipes deve ser de forma tal que um ajude o outro a realizar sua tarefa com qualidade. Todos os nossos sentidos devem estar voltados para o Cristo que se "revela" diante de nós, seja na Palavra, seja na Eucaristia. E quando prorrompemos em louvores ou súplicas é toda a Igreja que manifesta sua fé na presença amorosa do Cristo Senhor que nos acolhe, nos perdoa, nos alimenta e nos envia em missão para mais uma semana de testemunho vivo do Cristo ressuscitado.
 
Por isso devemos considerar três coisas muito importantes em nossa vida de fé, e que estão intimamente ligadas com as nossas ações litúrgicas, que são o anúncio, o testemunho de comunhão e a missionariedade.
 
Sem o anúncio, somos como um sino sem badalo. A missão dele é "chamar a atenção" das pessoas para a hora que se aproxima do encontro com o Senhor. Quando ele toca todos sabem que o som estridente vem do interior da Igreja. O badalo é a peça fundamental. Sem ele o sino não passa de um objeto pesado e inútil.
 
Se entre nós falta o testemunho de comunhão, nos tornamos agentes que criam divisões na comunidade, porque alimentamos intrigas e desavenças. Comunidade onde não há testemunho de comunhão entre seus membros é como fazer uma transfusão de sangue contaminado num corpo saudável: provoca males irreparáveis.
 
A missionariedade é o lançar das sementes que recebemos do próprio Cristo. A semente só realiza sua missão se for colocada em contato com a terra. Do contrário, ela continua sendo apenas semente que não realiza sua missão, que é a de fazer dar mais frutos. Sem a missionariedade, somos como essas sementes que permaneceram guardadas no recipiente. A Palavra proclamada no interior do templo religioso é semente confiada a nós para ser plantada no chão da nossa existência.
 
Por fim, fazendo eco ao lema do mês da Bíblia, que nos apresenta o profeta Miqueias, o profeta que denuncia as injustiças sociais, precisamos "praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus" (cf. Mq 6, 8).
 
Abençoados sejamos todos em Deus que é Pai e Filho e Espírito Santo.
 
Padre Antônio Mendes