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A missão dos discípulos é ser Jesus no meio do povo

Data de Publicação
03
2016
10
Segunda-feira
13h09
03 de Outubro de 2016 13h09

Jesus chamou os discípulos e os enviou em missão. Eles deviam ir às cidades e povoados aonde o próprio Cristo deveria ir (Lc 10, 1ss). A missão deles era ser "presença de Cristo" no meio do povo, principalmente para os sofredores, os abandonados, os desvalidos; aqueles que faziam o coração de Jesus sentir compaixão. Portanto, os discípulos nasceram para a missão. Não há outro propósito para o grupo que seguia Jesus, porque o próprio Jesus veio para salvar o que "estava perdido".
 
Hoje, no contexto eclesial em que vivemos, olhamos para a quantidade de grupos que formam as pastorais, os movimentos eclesiais e imaginamos o quanto esses grupos podem realizar em nome da Igreja. Precisamos, muito, "ser presença" de Cristo entre os seus prediletos, ou seja, entre os mais necessitados. Fazer parte dos grupos da Igreja não é adquirir status; ao contrário, é anular-se, é ser instrumento do Espírito Santo que mostra aonde devemos agir com mais urgência. Como o próprio São João Batista disse: "É necessário que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3, 30).
 
A dimensão missionária deve perpassar todas as atividades da ação evangelizadora da Igreja. Infelizmente, muitos "membros" de grupos, dos mais variados tipos e espiritualidade, usam o mesmo como uma "fonte" para saciar sua própria sede, suprir suas necessidades, mas mostram-se incapazes de "levar essa água para outros". Compreendemos que é necessário que cada um tenha onde alimentar a própria espiritualidade, mas também é muito "cômodo" viver saciado e não se pôr a caminho, deserto adentro, para encontrar os sedentos de Deus, isto é, procurar os lugares onde "o próprio Jesus gostaria de estar".
 
Quando falamos que "a Igreja é, por sua natureza, missionária", não refletimos o tamanho do compromisso que temos em nossas mãos. A natureza missionária da Igreja só se concretiza com a atuação dos seus membros. Não existe missão onde não há saída para "evangelizar". Ser uma Igreja em saída, como pede o papa Francisco, exige desprendimento da nossa parte. Precisamos ser agentes "desinstalados".
 
Todos os grupos pertencentes à Igreja, sejam de pastoral ou de espiritualidade, precisam que seus membros "sejam Jesus" no meio dessa sociedade tão dividida, tão dilacerada pelo egoísmo, pela ganância, pela sede de poder e de riqueza, pela falta de amor. Uma "Igreja missionária" precisa marcar presença física nesses ambientes onde a vida grita por socorro, onde os cegos pedem luz, os cochos pedem um caminho, os famintos gritam por alimentos, os atormentados pedem libertação.
 
Cada um, segundo sua vocação específica, é convocado a viver a dimensão missionária em plena comunhão com a Igreja que é comunhão de amor. Essa é a essência e o sinal pelo qual a Igreja é chamada e ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. Peçamos que o Espírito Santo continue a soprar, segundo a vontade do Pai, e nos ensine a ciência do amor doação, amor entrega. Que Ele renove em nós pela sua força, a fim de que "sejamos presença de Cristo" onde a missão exige.
 
Padre Antônio Mendes