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3. Igreja, lugar da Comunhão

90. A Igreja que Deus quer e nós também queremos é lugar de comunhão e participação, de partilha e ministerialidade. Nela os fiéis são acolhidos fraternalmente e se sentem valorizados e incluídos. Ela é de tal modo uma família que todos se sentem realmente membros corresponsáveis de sua edificação e desenvolvimento, compartilhando de seus dons e carismas (DAp, n. 226b).

3.1. A Participação

91. O Concílio Vaticano II nos diz que a Igreja é Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo e que toda autoridade hierárquica existe para o serviço deste Povo. Destaca também que a doutrina da comunhão decorre da participação de todos na mesma missão de Cristo. Desta missão sacerdotal, profética e régia de Cristo emana a fonte que gera a unidade dos fiéis e sustenta os espaços de comunhão e participação. Neste sentido, o papa João Paulo II, em sua carta para o início do novo milênio, escreveu: “Os espaços de comunhão devem ser aproveitados e promovidos dia a dia em todos os níveis, no tecido da vida de cada Igreja. Nesta, a comunhão deve resplandecer nas relações entre bispos, presbíteros e diáconos, entre pastores e o conjunto do povo de Deus, entre clero e religiosos, entre associações e movimentos eclesiais. Para isso, devem-se valorizar cada vez mais os organismos de participação previstos pelo Direito Canônico, tais como os Conselhos Presbiterais e Pastorais” (NMI, n. 45).

3.2. A Ministerialidade

92. Na Igreja, como lugar da comunhão e participação, há lugar para a diversidade de dons, serviços e ministérios. Nela todos são chamados a ser protagonistas, membros vivos e participantes. Como um só corpo, o Corpo de Cristo (1Cor 12), mas com muitos membros e cada um com sua função, a comunidade eclesial recebe do Espírito Santo, dons e carismas, para serem colocados a serviço do bem comum. Diz o Documento de Aparecida: “A diversidade de carismas, ministérios e serviços, abre o horizonte para o exercício cotidiano da comunhão através da qual os dons do Espírito Santo são colocados à disposição dos demais para que circule a caridade” (DAp, n. 162). Numa Igreja ministerial valorizam-se os dons de cada pessoa, superando a tentação de acumular funções nas mãos de poucos, mas levando todos a participar da única missão da Igreja, pois evangelizar é compromisso de todos os batizados.

93. É preciso pensar a Igreja segundo a fórmula: “comunidade - carismas e ministérios” (cf. CNBB Doc. 62, n. 105). Os termos carismas e ministérios indicam a riqueza e a variedade das vocações e serviços na Igreja. Muitos ministérios são conferidos aos leigos e leigas por mandato: Batismo, Exéquias, Testemunha Qualificada para o Matrimônio, Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística, Palavra etc, para cumprir sua missão evangelizadora construindo o Reino de Deus na história. Outro é o ministério ordenado, conferido pelo sacramento da Ordem, que tem a responsabilidade e a autoridade de incentivar e unir todos os demais ministérios. A Igreja é enriquecida de carismas e de ministérios diversificados, tornando-a comunidade mais viva e responsável.

3.3. A Partilha

94. Na Igreja comunhão é necessária a partilha, feita de forma evangélica. A maior lição que aprendemos nos vem da vivência das primeiras comunidades cristãs: “Ninguém considerava propriedade particular as coisas que possuía, mas tudo era colocado em comum entre eles” (Atos 4, 32). Os que possuíam partilhavam seus bens, de modo que não havia necessitados entre eles. Para a comunidade, distribuir era uma questão de justiça.

95. O Batismo nos compromete com a comunidade eclesial e com os serviços de evangelização que ela realiza. É compromisso de todo cristão batizado participar na construção do Reino de Deus e ser responsável pelo Projeto de Jesus. Numa sociedade que põe sua confiança na posse de bens materiais, que se preocupa mais com o ter do que com o ser de cada pessoa, assumir a partilha como expressão de fé e comunhão entre os irmãos e irmãs que vivem a prática da solidariedade fraterna, é assumir igualmente uma atitude profética.

3.4. A Acolhida

96. Na comunhão da Igreja, a acolhida tem lugar especial. A Igreja do novo milênio é chamada a ser uma Igreja hospitaleira, que acolhe e inclui em seu meio toda a diversidade que a vida traz. É uma Igreja aberta, larga, generosa, que vai ao encontro das pessoas. Uma Igreja capaz de dialogar, ouvir e sentir com aquele que chega, permitindo que “sinta-se em casa”. Numa sociedade tão marcada pelo individualismo e pela exclusão, a comunidade eclesial é chamada a superar todo tipo de comportamento frio e impessoal, estabelecendo uma relação de acolhida pastoral personalizada.

97. Ser uma Igreja acolhedora é ser “Igreja da misericórdia que, ao acolher, compreende, reúne, perdoa e demonstra amor incondicional pelos que são moral e socialmente excluídos” (DAESC 2009-2011, n. 26). Essa opção é mais evidente na relação carinhosa com as crianças, as mulheres, os pobres, os doentes, os pecadores. A partir da prática de Jesus, sua opção pelos excluídos que começa sempre pelo acolhimento às pessoas, nossa Igreja diocesana deverá ser mestra na hospitalidade, acolhendo particularmente os sofredores, os empobrecidos, os que procuram um sentido para a vida.

3.5. Igreja: Comunidade de Comunidades

98. O discípulo missionário de Jesus Cristo faz parte do Povo de Deus e vive sua fé em comunidade. Sem vida em comunidade, não há como viver a proposta cristã - o Reino de Deus. A comunidade acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta. Percebe-se a busca por vida comunitária recordando a importância da vida em fraternidade e a sede por união e solidariedade. Em nossos dias, além das comunidades estabelecidas, deparamo-nos com comunidades transterritoriais, ambientais e afetivas e o rápido crescimento das comunidades virtuais, tão presentes na cultura juvenil. Esses fatos abrem o coração do discípulo missionário a novos horizontes de concretização comunitária (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 56).

99. Na busca de vida comunitária, a presença das comunidades eclesiais de base - as CEBs, alimentadas pela Palavra, pela fraternidade, pela oração e pela Eucaristia, são sinal de vitalidade da Igreja e presença eclesial junto aos mais simples, partilhando a vida e com ela se comprometendo em vista de uma sociedade justa e solidária (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 60).

100. Num mundo plural, não há um único modo de ser comunidade. O Espírito sopra onde quer; nenhuma concretização comunitária possui o monopólio da ação do Espírito. Nenhuma deve chamar para si a primazia sobre as demais, pois todos são membros do corpo e possuem igual valor. A comunidade eclesial deve abrir-se para acolher dinamicamente os vários carismas, serviços e ministérios (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 61). O caminho para que a paróquia se torne uma comunidade de comunidades é inevitável, desafiando a criatividade, o respeito mútuo, a sensibilidade para o momento histórico. A setorização da paróquia pode favorecer o nascimento de comunidades, pois valorizam os vínculos humanos e sociais (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 62).

3.6. A Unidade Ecumênica e o Diálogo Inter-Religioso

101. A comunhão da Igreja deve prever abertura ecumênica na busca da comunhão com as outras Igrejas cristãs e para o diálogo com outras expressões religiosas não cristãs. Sobre isso, diz o Documento de Aparecida: “A compreensão e a prática da eclesiologia da comunhão nos conduz ao diálogo ecumênico” (DAp, n. 227). “O diálogo inter-religioso, além de seu caráter teológico, tem significado especial na construção da nova humanidade” (DAp, n. 239). Por isso, na casa da nossa identidade católica, há janelas e portas abertas para a comunhão e o diálogo com outras expressões cristãs e religiosas.

102.
Nossa Igreja é capaz de “ver nas outras Igrejas cristãs a presença do Cristo Bom Pastor” e está “voltada para o diálogo inter-religioso, reconhecendo nas religiões não cristãs as sementes do verbo, e em todas, o compromisso pela promoção da vida” (DAESC 2009-2011, n. 25). Tomar a iniciativa de ir ao encontro é um sinal de amor. Sinal este que se dá em primeiro lugar com as Igrejas cristãs para avançar no diálogo ecumênico e estabelecer ações conjuntas, principalmente na luta que envolve os excluídos da sociedade. Em segundo lugar, dialogar com as outras religiões, observando o que se tem em comum e o que se tem a aprender umas das outras, preservando, no entanto, sua riqueza particular. O diálogo ecumênico pressupõe um diálogo no interior da própria Igreja.