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2. Realidade Eclesial Diocesana

42. Nosso olhar voltado para a realidade eclesial de nossa Diocese aponta agora os dados resultantes dos questionários aplicados às Paróquias e ao Santuário Diocesano em 2010, dados estes, marcados pela força e a fraqueza de nossa vida de fé.

43. Atualmente contamos com 30 Paróquias e um Santuário Diocesano1 agrupados em seis Regiões Pastorais, às quais chamamos de Comarcas. Somos uma rede de 541 comunidades, destas, 450 possuem Igreja-Templo e 80 não, motivo que as leva a se reunirem em escolas, associações, centros comunitários ou casas de famílias nos momentos celebrativos e formativos.

44. Muitas comunidades, além da missa mensal, têm celebração dominical da Palavra, mesmo onde não tem templo. A Leitura Orante da Bíblia aparece como novo impulso, bem como os Grupos de Famílias e a oração nas casas. Outros momentos fortes da celebração da fé como: o Tríduo Pascal, adorações eucarísticas, grupos de oração, leitura bíblica, peregrinações, visita aos doentes e idosos para levar a comunhão, as missas da saúde, bênçãos das casas, etc... tem marcado a vivência da fé nas comunidades.

45. Ainda no campo da vivência da fé, as comunidades destacam o resgate e a valorização das festas dos santos padroeiros como momentos fortes, seguido da alegria que marca as celebrações e sua ligação com a realidade, fatos visíveis no aumento da participação inclusive nos dias feriais, com destaque também para os Sacramentos celebrados nas comunidades. Registram ainda a liberdade deixada às pessoas na vivência de sua fé, os momentos de oração e formação.

46. Em todas as paróquias existe o Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) organizado como espaço de comunhão e participação. O Conselho Pastoral da Comunidade (CPC) está organizado em 394 comunidades, embora os dados registrem que, muitas vezes, não há integração entre o CPP e CPCs, e unidade entre as pastorais e movimentos na própria paróquia.

47. Há comissões administrativas (CAEP) que não interagem com os demais serviços e dificultam os conselhos de assumirem seu papel. Preocupam-se mais em investir no patrimônio material, reservando pouco ou quase nada de recursos para ser aplicado na pastoral. Soma-se a esta questão administrativa, a falta de uma conscientização do Dízimo que, arrecadando pouco, não consegue manter a ação evangelizadora nas comunidades, levando-as a procurar outras formas de captar recursos, muitas vezes contrárias aos princípios cristãos.

48. A falta de unidade e integração na atuação pastoral, marcada pela ausência de uma pastoral de conjunto e a não cooperação entre os diversos serviços existentes, surge como uma fraqueza. Convivemos com comunidades com graves divisões internas, geradas por conflitos de ordem pessoal ou familiar, ou ainda por dificuldades de conviver com o diferente ou por questões político-partidárias. E paróquias vizinhas, muitas vezes, não falam a mesma linguagem no tocante à organização de eventos, festas, e até mesmo atividades pastorais. O não cumprimento do Plano Diocesano de Pastoral contribui para a falta de unidade na diversidade, trazendo desconfortos e prejudicando a caminhada pastoral de nossa Igreja diocesana.

49. A Pastoral Catequética está presente em todas as paróquias com coordenação paroquial, realizando um serviço de catequese com crianças, adolescentes e algumas iniciativas com adultos em preparação aos sacramentos. Todas as paróquias realizam encontros de preparação para os sacramentos do batismo e do matrimônio.

50. No campo da catequese, nota-se a falta de cooperação dos pais, da comunidade em geral, o descompromisso da família na evangelização dos filhos e a não participação nas celebrações da comunidade. O envolvimento dos jovens nas atividades da Igreja após a crisma continua um desafio, fruto, muitas vezes, de uma catequese apenas sacramental, que não contribui para uma vivência da fé. Constata-se uma carência na preparação e espiritualidade dos agentes evangelizadores.

51. A Pastoral Litúrgica está organizada com coordenação paroquial na maioria das paróquias e conta com muitas equipes de celebração e de canto. Constata-se, também, uma preocupação com os ministérios litúrgicos voltando a atenção à preparação de coroinhas presente em todas as paróquias, bem como de salmistas e grupos de canto. Por fim, a fé celebrada de maneira mais viva tem motivado a integração das comunidades, despertado a participação de mais adolescentes e jovens. A ausência de celebrações inculturadas, equipes que não preparam as Celebrações Eucarísticas e da Palavra, e a pouca valorização do domingo como dia do Senhor aparecem como fraquezas que prejudicam a vivência da fé em nossas comunidades.

52. Os Grupos de Famílias com coordenação paroquial estão presentes em todas as paróquias e aparece como uma das grandes forças de nossa Igreja com, aproximadamente 3.000 grupos, com participação mais intensa na quaresma e no advento. No entanto, percebe-se como desafio a atuação dos Grupos de Famílias no meio urbano.

53. A presença dos evangelizadores é marcada com a força dos leigos e leigas e sua participação solidária nas atividades pastorais. Grande é o número de agentes em toda a nossa Diocese, espalhados nas comunidades e atuando nos mais diversos serviços e ministérios assumidos, como os Agentes do Batismo, Testemunhas Qualificadas do Matrimônio e Exéquias que enriquecem a ação evangelizadora da Igreja. Entretanto ainda se percebe certa resistência à aceitação dos ministérios leigos. É perceptível uma crescente participação de jovens na vida eclesial assumindo serviços e ministérios.

54. Quando voltamos nossa atenção para a realidade de nossas lideranças, constata-se certo cansaço por parte dos leigos e leigas, provocado pela sobrecarga de compromissos e questões familiares. A estrutura pastoral, com grande número de setores, excesso de atividades e reuniões, muitas vezes sem objetividade, trazem pouco resultado na ação evangelizadora.

55. Constata-se que, em algumas comunidades existe a centralização da função de coordenações por uma única pessoa e o acúmulo de funções que impede o surgimento e acolhida de novas lideranças. Percebe-se ainda a presença de lideranças descomprometidas, que assumem serviços e não se dedicam, bem como com lideranças confusas, com uma fraca formação e atuação, que se deixam influenciar pelos fenômenos religiosos atuais e denominações religiosas.

56. Há paróquias em que a vida de comunhão e participação na comunidade e nos encontros de formação não é muito intensa. Há também membros de Movimentos e Associações que priorizam a estrutura e formação nacional, deixando para segundo plano a orientação diocesana, além de não participarem da vida da comunidade. É lamentável ainda a existência de autoritarismos, estrelismos, ciúmes, falta de testemunho, de unidade, de humildade, de coerência, de motivação e de aceitação entre as lideranças.

57. A esperança desponta com o surgimento de novos Grupos de Jovens que têm contribuído com o processo de educação da fé, seu crescimento pessoal e com a caminhada eclesial. Porém, muitos têm vida breve, ora por não contarem com apoio da comunidade, ora por falta da assessoria de adultos preparados ou dos padres, ora pelo isolamento e o pouco envolvimento na caminhada da comunidade.

58. A Pastoral Vocacional com coordenação está presente em bom número de paróquias. Estas equipes desenvolvem trabalhos de promoção e animação vocacional nas paróquias e também junto aos seminários e casas de formação. Carece ainda de uma visão vocacional eclesial, abordando as vocações numa dimensão mais ampla que contemple todos os carismas e ministérios.

59. A Pastoral Familiar, em algumas paróquias, está organizada e atuando na formação das famílias, na preparação para o matrimônio, no atendimento a casos especiais e algumas iniciativas com casais de segunda união. Em algumas paróquias a atividade com famílias é assumida por diferentes Movimentos Eclesiais com espiritualidade familiar. A realidade da família continua sendo um forte desafio para a nossa ação evangelizadora. Muitos casais e famílias buscam a Igreja apenas para receber Sacramentos, oportunidade esta que não é aproveitada para uma evangelização adequada.

60. Contudo, percebe-se uma Igreja que aos poucos vai ao encontro das famílias a partir da visitação, com ministros leigos, religiosos e padres levando a bênção, a solidariedade às pessoas doentes e idosas.

61. A Comissão Missionária da Diocese (COMIDI) é uma equipe que realiza trabalhos ligados à animação missionária em nossa diocese. Merecem destaque a Infância e Adolescência Missionária e o Projeto Paróquias Solidárias.

62. Embora muitas paróquias continuem com a iniciativa das Santas Missões Populares realizando visitações, dando bênção nas casas a exemplo das semanas missionárias, nossa vivencia eclesial, aponta como uma das grandes fraquezas, a falta de acolhimento, a visitação, o ir ao encontro e o saber ouvir.

63. Os espaços de formação de lideranças têm sido outro ponto de fortalecimento da caminhada com destaque para a Escola de Teologia para Leigos (ETL), Escola Diocesana de Evangelização da Juventude (EDEJU), Escola Catequética Diocesana, além dos cursos bíblicos, maratonas bíblicas, escolas paroquiais, encontros e palestras. A formação de lideranças tem fortalecido o trabalho pastoral, feito surgir novos agentes, além de provocar unidade e comunhão uma vez que setores e comunidades participam juntos, pastorais promovem trabalhos em comum como a catequese e liturgia, e acredita-se mais na força da comunidade. Tudo isso amparado por uma partilha de recursos que chegam pela articulação maior da Pastoral do Dízimo.

64. A Pastoral da Comunicação é um serviço que ainda não se consolidou nas paróquias. Frente às novas mídias e tecnologias perde-se a oportunidade e espaço de propagar a Boa Nova do Reino. Porém, vem despertando nas lideranças a percepção do quão útil são os Meios de Comunicação Social como veículos de evangelização para o exercício da missão da Igreja. São utilizados: informativo impresso, programas de rádio, site/blog, missas transmitidas pelo rádio.

65. Na dimensão da caridade necessitamos de atividades mais organizadas e articuladas, bem como uma ação pastoral voltada para a realidade urbana e a necessidade de métodos e caminhos para evangelizar nos grandes centros. A presença da Igreja nas periferias, escolas e universidades deixam a desejar e um vasto campo de inúmeras oportunidades não é aproveitado. Realidades como a dos dependentes químicos sobem como um clamor, muitas vezes não ouvido, nem atendido.

66. No contexto da caridade organizada, as paróquias realizam atividades de ação solidária. Em algumas com uma organização ou associação própria e noutras ligadas diretamente à Paróquia. Em âmbito diocesano temos a Cáritas, da qual várias paróquias e pastorais sociais são inscritas como entidades filiadas.

67. Com relação às Pastorais Sociais, trazemos presente, com força expressiva, a Pastoral da Criança e a Pastoral da Saúde; além disso, temos a Pastoral Carcerária, a Pastoral Afro-Brasileira, a Pastoral da Juventude e a Pastoral da Pessoa Idosa.

68. Quanto aos Movimentos e Associações Religiosas existentes na Diocese, estão presentes na maioria das paróquias: Apostolado da Oração, Mãe Peregrina, Movimento de Irmãos, Renovação Carismática Católica, Cursilhos de Cristandade. Em algumas paróquias estão presentes: Movimento Familiar Cristão, Equipes de Nossa Senhora, Congregação Mariana, Legião de Maria, Associação Santa Terezinha, Vicentinos, Leigos Associados Adoradores Sacramentinos e os Missionários de Madre Tereza de Jesus.

69. Outros Movimentos e Associações estão presentes cada qual em uma paróquia: o Movimento Lareira, Associação Nossa Senhora do Carmo, Aliança de Misericórdia, Irmandade de Nossa Senhora, Irmandade Senhor dos Passos, Grande Família do Sagrado Coração, Ordem Secular dos Servos de Maria, Obra Vocacional Servita.