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1. Objetivo Geral

127. Nós, povo de Deus da Diocese de Criciúma, animados pela Santíssima Trindade, queremos: Evangelizar vivendo em comunidade, como Igreja Discípula, Missionária e Profética alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, participando na construção de uma sociedade justa e solidária em defesa da vida, sem exclusões, a caminho do Reino definitivo.

1.1. Nós, povo de Deus da Diocese de Criciúma

128. Por amor Deus formou um povo, e com ele estabeleceu uma aliança: “vocês serão o meu povo e eu serei o Deus de vocês” (Ez 37,23). A Igreja, sinal do Reino é o povo de Deus, reunido em nome do Pai, do Filho e o Espírito Santo, que caminha na história, rumo ao Reino definitivo.

129. Para o Concílio Vaticano II, “o povo de Deus tem por condição a dignidade e a liberdade de filhos de Deus, em cujos corações habita o Espírito Santo, como em templo. Sua lei é o mandamento novo de amar como o próprio Cristo nos amou (cf. Jo 13,34), cuja meta é o Reino de Deus” (LG, n. 9b). “Ingressa-se no povo de Deus pela fé e pelo batismo. Todas as pessoas são chamadas a fazer parte do povo de Deus, a fim de que em Cristo constituam uma só família e um só povo de Deus” (CIgC, n. 804).

130. Somos o povo de Deus da Diocese de Criciúma. Aqui é o nosso chão, o local, o território de onde brotam as forças a favor da vida. Este ”chão” nos remete à compreensão da relação entre “o ser humano e a natureza”, espaço onde se dá o desenvolvimento humano em todas as suas dimensões. É aqui que somos chamados a ser o povo de Deus escolhido.

1.2. Animados pela Santíssima Trindade

131. Nossa Igreja nasce do coração da Trindade, que é fonte para a comunidade eclesial. “É o povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (LG, n. 4). A comunhão das três pessoas não as leva a se confundirem, pois é nesta comunhão que se encontra a beleza de sua diversidade. Em Deus Trindade, somos unidade que não é uniformidade; somos diversidade que não é divisão; somos comunhão e não confusão.

132. É esse amor que nos recria sempre e nos torna sempre novos, pois é na Trindade que somos batizados. O mistério da Trindade é o coração da fé e da vida cristã, que se expressa num gesto simples e diário, do sinal da cruz, no qual fazemos nossa mais profunda profissão de fé. É nesta luz da Trindade que buscamos o ânimo para desenvolver dentro de nós e em todos os lugares as mesmas atitudes do Pai, do Filho, do Espírito Santo numa vida de santidade,

133. Para comunicar seu rosto, a Trindade escolhe a comunidade humana, e para ela torna-se modelo de comunhão-Trindade melhor comunidade. Este modelo de comunidade é uma crítica a todas as relações desumanas, opressoras e exploradoras, injustas e egoístas que existem na sociedade. É nesta comunidade que as atribuições do Pai, do Filho e do Espírito Santo devem ser explicitamente vivenciadas, numa espiritualidade cristã-libertadora, fazendo com que a nossa alegria seja também o nosso testemunho de fé no serviço aos irmãos com dedicação para “que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo 17,21).

1.3. Evangelizar como Igreja discípula, missionária e profética

134. Evangelizar é anunciar Jesus Cristo como Boa Nova do Reino e sinal do amor de Deus para o mundo, amor que salva e liberta. É anunciar ao mundo a presença de Cristo, vitoriosa sobre o pecado e a morte. Evangelizar é uma ação eminentemente profética, anúncio de uma Boa Nova portadora de esperança: “A profecia será pois, a forma mais eficaz de anunciar a Boa Nova” (CNBB, Doc. 80, n. 22).

135. Evangelizar resume toda a ação de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres”. O chamado missionário é permanente. Inicia-se com o batismo, quando somos inseridos na graça divina e na vida eclesial, e passamos a ser parte desta Igreja, com a responsabilidade de levar o Evangelho a todas as criaturas: “Ai de mim se não evangelizar!” (1Cor 9,16).

136. A Igreja nasce da missão e existe para a missão, por isso precisa ir a todos e dar testemunho de Jesus Cristo: (cf. EN, n. 14)“Os mensageiros de Jesus Cristo são, antes de tudo, testemunhas daquilo que viram, encontraram e experimentaram. Este fato implica irradiar a presença do Deus de Jesus Cristo, Deus Conosco e na força do Espírito Santo proclamar, com a palavra e com a vida, que Cristo está vivo entre nós” (CNBB, DGAE 2011-2015, n. 76). Neste sentido, os discípulos missionários, em vez de ficarem fechados em seus projetos particulares, estejam abertos ao novo, para enfrentar os desafios impostos pelos tempos atuais. Só evangeliza quem aceita e segue o caminho de Jesus. Viver como Jesus há de ser também o projeto de todo cristão que anuncia a Boa Nova e denuncia todas as forças opressoras que esmagam a vida querida por Deus. Como batizados e portadores da graça e da unção do Espírito Santo, somos todos convocados para ser Profetas, Sacerdotes e Pastores pelo testemunho profético e corajoso em favor da vida, transformando o mundo: “Sereis minhas testemunhas até os extremos da terra”.

1.4. Vivendo em comunidade

137. A prática pedagógico-pastoral de Jesus era de comunhão com o Pai, de serviço aos irmãos, de opção pelos excluídos, de luta pela vida e vida para todos. Seus discípulos e discípulas foram educados nesta metodologia de partilha do poder-serviço, pela prática do bem no dia a dia. Os primeiros cristãos colocavam tudo em comum e por isso, não havia necessitados entre eles (At 2,44-45, Dt 15,4). Foi desta vivência concreta da fé que foram surgindo, após a Ressurreição, as comunidades, na comunhão e participação das pessoas, na partilha dos bens e na ministerialidade.

138. A Igreja nos chama a viver em comunidade, lugar de comunhão e da expressão dos diferentes dons e carismas para o bem de todos, e nela fazer a experiência do encontro com Jesus Cristo vivo para amadurecer a vocação cristã (cf. DAp, n. 167). São estes dons e carismas que tornam a vida comunitária mais perfeita numa rede de comunidades: “A experiência comunitária, quando efetivamente vivida à luz da Boa Nova do Reino de Deus, conduz ao empenho para que a fraternidade e a união sejam assumidas em todas as instâncias da vida. Para isso, no interior da comunidade eclesial, o diálogo é o caminho permanente para a boa convivência e o aprofundamento da comunhão. A variedade de vocações, carismas, espiritualidades e movimentos é uma riqueza e não motivo para competição, rejeição ou discriminação. Grande é o desafio da educação para a vivência da unidade na diversidade, fundada no princípio de que todos são irmãos e iguais em dignidade (Gl 3,28). Quanto maior for a comunhão, tanto mais eficaz será o testemunho de fé da comunidade” (CNBB, DGAE 2011-2015, n. 98).

1.5. Alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia

139. É pela Palavra que o próprio Deus entra no mundo, age, cria, intervém na história do seu povo e o orienta na caminhada: “Ela é como a chuva que desce do céu e para lá não volta, sem ter regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come. Ela não torna a ele sem ter produzido fruto e sem ter cumprido a sua vontade” (Is 55,10). As primeiras comunidades são descritas como a Igreja da Palavra, à qual os discípulos e discípulas eram fiéis. A Palavra de Deus se expande, faz caminho: “E cada dia, no templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar que Jesus é o Cristo. A palavra de Deus crescia, e o número dos discípulos se multiplicava em Jerusalém e anunciavam a Boa Nova em muitos povoados dos samaritanos. A palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais (cf.At 5,42); 8, 25; 12, 24).

140. “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como venera também o Corpo do Senhor. Ela não cessa de apresentar aos fiéis o Pão da Vida tomado da Mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo” (CIgC, n. 103).

141. “Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus “Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai, que está nos céus, vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”(CIgC 104).

142. A iniciação à vida cristã é o primeiro passo para o agir missionário proporcionando um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo. E nossa resposta ao dinamismo do Espírito é anunciar a Boa Nova em todo mundo. O conteúdo é Jesus Cristo, sua vida, sua missão e seus ensinamentos. O caminho é a própria vida da comunidade eclesial buscando sempre renovar a vida comunitária, proporcionando uma formação gradual, sistemática e integral no conhecimento, no amor e no seguimento a Jesus Cristo, despertando para a ação e o compromisso missionário e sócio transformador.

143. Em perfeita unidade com a Palavra, a Eucaristia é para nós o alimento imperecível que o Senhor nos preparou: “Isto é o meu corpo entregue por vós. Fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em minha memória” (1Cor 11, 24-25).

144. O partir do pão nas primeiras comunidades cristãs, era a Eucaristia, celebração da memória viva de Jesus morto e ressuscitado. A Eucaristia é a fonte e o ápice de toda ação evangelizadora, da qual tudo deve partir e a ela conduzir.

145. Comungar o Corpo e Sangue do Senhor é comungar seu Projeto e identificar-se com os irmãos. Esta vivência eucarística deve nos levar à prática da justiça, da partilha, da fraternidade, lealdade e fidelidade, porque é uma identificação com quem comungamos. Esta é a dinâmica que dá sentido à Eucaristia, pois se ela não for acompanhada pelo serviço concreto do lava-pés (Jo 13,1ss) aos pobres e sofredores, torna-se vazia. O exemplo de Jesus Cristo de dar a vida como resgate em favor de muitos é a nossa constante fonte de inspiração para o trabalho de evangelização.

1.6. Participando na construção de uma sociedade justa e solidária em defesa da vida, sem exclusões

146. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10), disse Jesus. Alicerçada nessa certeza, a Igreja assume sua missão no mundo: “Em meio a um mundo marcado por tantos sinais de morte e inúmeras formas de exclusão, a Igreja, em todos os seus grupos, movimentos e associações, animados por uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral, tem a importante missão de defender, cuidar e promover a vida, em todas as suas expressões” (CNBB, DGAE 2011-2015 n. 106).

147. A paixão de Jesus se inscreve no interior da paixão dolorosa do mundo, e ao ser interpretada pela comunidade, os discípulos e discípulas compreendem que não foi apenas Jesus que carregou a cruz e foi submetido aos piores tormentos, mas muitos irmãos e irmãs. Aqui está o sentido mais profundo da solidariedade para com todos os crucificados da história. Da consciência da relação entre a paixão do mundo e a paixão de Cristo nasce o desafio de enfrentar e superar as causas geradoras destes sofrimentos, na defesa da vida como compromisso com a justiça, por uma sociedade fraterna e solidária, em vista do Reino de Deus.

148. Participar na construção de uma sociedade sem exclusões é realizar sinais do projeto de Deus na solidariedade e na busca do bem comum. A justiça exige que se deem condições de viver com dignidade e com oportunidades iguais. A solidariedade nos ajuda a ver no outro alguém criado à imagem e semelhança de Deus, filho do mesmo Pai, portanto, irmão. A solidariedade com todos os seres humanos e todas as criaturas é, para os cristãos de hoje, uma exigência igualmente irrenunciável, intrínseca à própria fé no Deus, Pai de todos, criador de tudo. O concílio Vaticano II na abertura da Gaudium et Spes afirma: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.

1.7. A caminho do Reino definitivo

149. Ao afirmar que estamos a caminho, já dizemos que nosso destino final não está neste mundo: “não temos aqui morada fixa, mas buscamos a que há de vir”. Cristo inaugurou um Reino que “está no mundo, mas não é deste mundo”. O cristão deve ter consciência de seu compromisso na construção deste mundo, mas sempre com os olhos voltados para a Jerusalém celeste, para o triunfo final de Deus, quando Deus “será tudo em todos”. Enquanto caminhamos neste mundo, o fazemos confiantes na promessa de Jesus: “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”. Mais ainda, a caminho do Reino definitivo impõe- nos uma grande responsabilidade diante do que Jesus realizou como missão há mais de dois mil anos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Esta é a missão da Igreja, dada pelo próprio Cristo. A Igreja existe para evangelizar e evangelizar é fazer o que Jesus fez: anunciar a todos uma grande esperança, anunciar Reino de Deus – a criação, finalmente liberta de toda opressão e a alegria de conhecer a Deus e de ser conhecido por Ele.