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1. O mundo em que vivemos - Uma realidade que nos interpela

3. Fazemos parte do povo de Deus da Diocese de Criciúma que vive no extremo sul catarinense. Somos parte de uma realidade mergulhada, nos últimos tempos, em grandes transformações ocasionadas por mudanças que trazem influência para a cultura, as ciências, a educação, o esporte, as artes e também para as religiões. Toda essa realidade tem incidência direta na vida das pessoas.

4. O discípulo missionário sabe que para anunciar o Evangelho, ele deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. Sabemos não ser fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações. Daí a atitude de diálogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecer fundamentos para a ação (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 17-18).

5. A Conferência de Aparecida recorda: Vivemos um tempo de transformações profundas que afetam a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida. Estamos diante de uma globalização não apenas geográfica. As transformações atingem os setores da vida humana. Não vivemos uma época de mudanças, mas uma “mudança de época”. O que era certeza, mostra-se insuficiente para responder a situações novas (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 19).

1.1. Realidade Sociocultural

6. Verifica-se a imposição de novas culturas artificiais e exóticas trazidas por alguns meios de comunicação que invadem todos os espaços, inclusive a intimidade do lar, desprezando as culturas tradicionais locais e impondo uma maneira de viver única em todos os lugares. Tais meios de comunicação de massa veiculam uma visão distorcida da realidade e da felicidade. Impõe-se como valor viver o presente, sem projetos de longo prazo, sem preocupação com critérios éticos e, portanto, sem compromissos com as pessoas, a comunidade e a sociedade.

7. Em algumas situações, a ciência e a tecnologia posicionam-se a serviço do mercado, e este, com a sua avidez de consumo, descontrola o desejo de crianças, jovens e adultos. A publicidade ilude as pessoas, cria necessidades falsas e suscita o desejo pelos produtos anunciados, como se fossem resolver todos os problemas, e que a felicidade se alcança através do bem-estar econômico e da satisfação hedonista (exalta o prazer como suprema norma moral). As novas gerações são as mais afetadas por essa cultura de consumo.

8. Diante de uma cultura cada vez mais individualista e utilitarista, gerando incertezas e riscos, cada vez mais as pessoas pensam apenas em si mesmas, negando a relação com o outro de quem não necessita e não se sente responsável. Na busca pela satisfação imediata de seus desejos, tornam-se indiferentes ao bem comum, sem o menor esforço para garantir os direitos sociais, culturais e de solidariedade, resultando no prejuízo de todos, sobretudo dos pobres, os que mais sofrem. Igual indiferença se dá em relação ao sofrimento de muitas mulheres, crianças, adolescentes, jovens e idosos, muitas vezes submetidos a múltiplas formas de violência dentro e fora de casa, pelo tráfico de drogas, violação, escravização e assédio sexual.

9. Duas mudanças se destacam: O relativismo, próprio de quem, não enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. Os fundamentalismos fechados em determinados aspectos, não considerando a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Essas duas atitudes se desdobram em outras: o laicismo militante, com posturas contra a Igreja e a Verdade do Evangelho, a irracionalidade da cultura midiática, o amoralismo, e um projeto de nação sem considerar os anseios do povo (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 20).

10. Ainda na esfera do individualismo, predomina a mentalidade onde cada um se julga absolutamente dono de suas decisões, não aceitando as orientações da Família, da Escola, da Igreja, do Estado. Como as tradições culturais não mais transmitem valores de uma geração à outra como no passado, a falta de um referencial tem gerado um clima de permissividade e de sensualidade. Muitas pessoas participam da lógica da vida como espetáculo, considerando o corpo como fonte de referência de sua realidade presente. Afirmam o presente, porque o passado perdeu relevância diante de tantas exclusões sociais, religiosas, culturais, políticas e econômicas.

11. Por outro lado, nosso olhar de fé e de esperança também constata aspectos positivos dessa mudança cultural. Em meio à realidade emergem novos sujeitos, com novos estilos de vida, maneiras de pensar, de sentir, de perceber e com novas formas de se relacionar. Espaços e oportunidades se abrem. A diversidade cultural em que vivemos com as diferentes particularidades podem também se constituir em elementos fortes e positivos na evangelização.

12. Ainda neste aspecto cultural, a família, mesmo passando por muitas dificuldades, é um espaço fundamental para viver a vida de comunhão e individualidade. Também são espaços ricos, a participação nos pequenos grupos de famílias, na vida das comunidades, nos movimentos de Igreja, espaços de acolhida e partilha da fé cristã. A necessidade de construir a própria história e o desejo de encontrar razões para a existência, motivam o encontro com o outro para partilhar e compartilhar experiências, e assim, encontrar respostas para a vida. Ao valorizar a experiência pessoal, o testemunho aparece como elemento fundamental na vivência da fé.

13. Mesmo que a cultura de mudança predominante negue o acesso da maioria aos bens que são necessários para uma vida digna e feliz, surgem grupos e pessoas que afirmam o valor fundamental do ser humano, de sua liberdade, consciência e experiência, bem como o sentido da vida e da transcendência. “Podemos perceber a presença do Espírito na luta contra as discriminações, na promoção dos direitos da mulher, na construção da consciência ecológica, na defesa dos direitos de determinados grupos culturais étnicos, na busca da justiça social e de ‘um outro mundo possível’” (DAESC 2009-2011, n. 10).

1.2. Realidade Econômica

14. A nossa região conta com uma economia dinâmica e diversificada, afinada com as exigências do mercado, em grande medida voltada para a exportação, dentro do processo de globalização neoliberal e capitalista. Tem como destaque os setores de alimento, metal mecânico, carvão mineral, têxtil, cerâmico, plástico e agrícola.

15. A face mais difundida e de êxito da globalização é a sua dimensão econômica que se sobrepõe e condiciona às outras dimensões da vida humana. A dinâmica do mercado absolutiza a eficácia e a produtividade como valores reguladores de todas as relações humanas, gerando um processo promotor de injustiças e que não é capaz de reagir em função de valores objetivos, tais como a verdade, a justiça, o amor e, muito especialmente, a dignidade e os direitos de todos.

16. As leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Isto compromete o equilíbrio entre os povos, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda (cf. CNBB, DGAE 2011-2015, n. 21).

17. O sistema capitalista privilegia o lucro e uma redução de custos, ocasionando uma grande exploração da mão de obra. Além da exploração e dos baixos salários, a realidade econômica conta com a carência de qualificação dos trabalhadores nas áreas da construção civil, informática, indústria, dentre outras. Muitos trabalhadores, sem acesso a uma formação de qualidade, passam a ser os chamados “descartáveis” e “supérfluos” (DAp, n. 65). Esta carência no mercado de trabalho obriga escolas, institutos e empresas a investirem em cursos de qualificação da mão de obra. Temos, como sinais positivos, a abertura de cursos, priorizando a necessidade de cada região.

18. Por outro lado, a desvalorização do trabalho, a falta de políticas públicas definidas e perspectiva de vida agravam as situações de risco para a sociedade. Em contrapartida aumenta o tráfico e consumo de drogas, a exploração sexual, a violência, a migração dentro e fora de seus respectivos países, trazendo sérias consequências no campo pessoal, familiar e cultural.

19. Outra realidade econômica da região é a agricultura familiar, realidade esta da maioria dos agricultores e que vem registrando aumento da produtividade nos últimos anos. Entretanto, os pequenos agricultores sofrem com a falta de produção acompanhada e sua comercialização, sem perspectiva de uma renda estável e de sobrevivência, além de estarem expostos ao uso de defensivos químicos que prejudicam a saúde. Muitas famílias para sobreviverem se integram às agroindústrias produtoras de carnes (aves), leite, fumo, tornando-se reféns em sua propriedade, privando-se da vida comunitária. O êxodo rural, que atinge de modo especial os jovens, surge como outra ameaça.

20. O turismo, em sua gama de possibilidades, é outra atividade econômica de grande projeção na região sul, com destaque para as belas praias, canyons, parques ecológicos e propriedades privadas com lagos e piscinas naturais. Um setor de crescente desenvolvimento é o turismo rural, aliando a natureza e hospitalidade do povo do campo. Nos últimos anos tem crescido o turismo religioso no estado.

21. É possível destacar iniciativas positivas e criativas que fazem frente a esta realidade de exclusão, com as experiências da economia solidária, pequenas cooperativas, produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos, indústrias que primam pela preservação e sustentabilidade do meio ambiente e que promovem uma economia diferente, marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos.

22. Por fim, o Documento de Aparecida nos convida a contemplar os rostos daqueles que sofrem, das pessoas que não são tratadas com dignidade e igualdade de condições. Neste sentido, em nossa diocese destacamos: os jovens que recebem uma educação de baixa qualidade e não têm oportunidade de progredir em seus estudos, nem de entrar no mercado de trabalho para se desenvolver e constituir uma família; aqueles que procuram sobreviver na economia informal; a preocupação com os dependentes químicos; as pessoas com necessidades especiais; os portadores de HIV-AIDS que sofrem a solidão e se veem excluídos da convivência familiar e social; os idosos que, além de se sentirem excluídos do sistema produtivo, veem-se, muitas vezes, recusados por sua família como pessoas incômodas e inúteis; os trabalhadores que não conseguem mais voltar ao mercado de trabalho por causa da idade; as mulheres que, além da dupla jornada de trabalho, sofrem violências familiares, não são reconhecidas como pessoas em potencial no campo profissional, e as pessoas acometidas por diversos tipos de doenças. Outra preocupação é com relação aos empregados com baixa remuneração; aposentados, obrigados a voltar ao mercado de trabalho; presidiários e ex-presidiários e a desestruturação familiar.

1.3. Realidade Política

23. Constata-se um desencantamento pela política enquanto instância de mediação de mudanças, pois as promessas de uma vida melhor e mais justa não se cumprem ou são ineficientes; e ainda convivemos com a corrupção e a impunidade, que coloca em sério risco a credibilidade das instituições públicas aumentando a desconfiança do povo (DAp, n. 77). Soma-se a esta crise, a falta de vontade política de alguns em solucionar certas questões como: crescimento da violência, tráfico, corrupção, baixo investimento na saúde e na educação, inchaço no setor público, “paixão partidária”, compra e venda de votos etc. “É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, que envolve pessoas e armamentos. A cidadania está comprometida” (CNBB, DGAE 2011-2015, n. 21).

24. As lideranças que se identificavam com setores populares e lutavam por projetos sociais, ao assumirem cargos políticos, esquecem os projetos que outrora defendiam, tornam-se infiéis aos projetos de uma sociedade justa e solidária para todos e entram no jogo dos poderosos. Há, por outro lado, pouca formação e acompanhamento às pessoas para assumirem a vida política através de cargos públicos, como também a participação de leigos e leigas nos Conselhos Municipais e outros campos de reflexões e decisões, sendo esta uma de nossas fraquezas na pastoral.

25. Ainda é forte a tendência, por parte de políticos, de se perpetuarem nos cargos, tornando-os uma herança de família e impedindo o surgimento de novas lideranças políticas.

26. Vemos com esperança a Lei 9.840, que estabelece medida contra a Corrupção Eleitoral. O empenho das lideranças na realização e aprovação do Projeto Ficha Limpa, e a mobilização pela criação da Defensoria Pública no Estado de Santa Catarina. O surgimento de iniciativas populares comprometidas com a defesa dos direitos da população empobrecida, e o interesse de lideranças e instituições sociais e religiosas em participar de conselhos e fóruns.

1.4. Realidade Ecológica

27. O sul de Santa Catarina possui uma rica biodiversidade, com diferentes formas de relevo, distribuídos em faixas litorâneas, matas e serra; de vegetação em que se alternam florestas, áreas de plantio e pastagens, com pequenas variações; e de grandes bacias hidrográficas, responsáveis pela quantidade e qualidade da água potável para consumo humano e diversos setores da economia.

28. Pertencente ao bioma Mata Atlântica, nossa região diocesana conserva poucas reservas nativas. Os rios e lagos abrigam ainda ricos ecossistemas aquáticos, grande parte deles ameaçados pelo desmatamento das matas ciliares e consequente assoreamento dos mananciais, e pela poluição da água.

29. A coleta seletiva e a destinação correta do material reciclável e orgânico, embora sejam discutidas em nossa região, carecem da vontade e compromisso público municipal e da conscientização por parte da população. Ainda há pouco investimento dos órgãos públicos. Mesmo a reciclagem do lixo “comum” continua a passos lentos. Por iniciativas das cooperativas de reciclagem, fórum do lixo e dos catadores há um trabalho de conscientização, assim como nos pequenos grupos e alguns condomínios. Campanhas de recolhimento do material começam a despertar o compromisso da sociedade.

30. A questão do saneamento básico é fundamental para qualquer sistema de saúde e influi diretamente nas condições de vida. O tratamento de esgoto ainda é um grande desafio para o Brasil. Segundo pesquisa do IBGE no ano de 2008, Santa Catarina é o 11° pior estado em tratamento de esgoto. Na região sul onde estamos situados, não é diferente, mas percebe-se que, pouco a pouco, os municípios começam a investir na rede de tratamento de esgoto, na recuperação da mata ciliar, bacia hidrográfica e mata atlântica.

31. Nossa região também se destaca pelo setor da mineração especialmente do carvão, areia e argila. Esses setores trouxeram muito progresso para a região, mas deixaram inúmeros prejuízos ambientais, como a poluição de rios e a degradação do solo. A poluição dos rios, ocasionada pelo carvão, rizicultura, lixo e esgoto, causa prejuízos, não somente na área ambiental, mas também social e econômica. Centenas de famílias que vivem da pesca estão perdendo sua fonte de subsistência. A captação de água nestes rios, para o consumo humano é inviável, devido ao alto índice de contaminação. Diante desses dados e da realidade, é questionável a abertura de novas minas.

32. O uso de agrotóxicos nas grandes e pequenas propriedades é outro agravante da vida no campo que compromete a saúde dos trabalhadores e consumidores, além de poluir o meio ambiente. Programas de incentivo ao trabalho no campo vêm sendo desenvolvidos, como o resgate das sementes crioulas, o não uso de agrotóxicos e a comercialização dos produtos nos próprios municípios em feiras e merenda escolar. Tanto no campo como na cidade percebe-se o crescimento da consciência ecológica, sendo um exemplo disso a formação de grupos de agricultores que produzem em bases sustentáveis, preservando a natureza e a saúde das pessoas.

33. Entretanto devemos pensar globalmente sobre a questão ambiental. O nosso planeta vem sofrendo nas últimas décadas com alterações climáticas significativas. O chamado aquecimento global e suas consequências: derretimento de geleiras, enchentes, furações, seca, em 90% são atribuídos à ação humana. Nossa região mostra claramente isso, registrando períodos de seca e de constantes chuvas e temperaturas acima da média.

34. A Igreja, nas últimas décadas, vem promovendo debates sobre a questão ambiental e o compromisso cristão pelo cuidado com toda a Criação, através de simpósios, fóruns e estudos, especialmente com as Campanhas da Fraternidade que têm refletido as realidades de nosso país.

1.5. Realidade Religiosa

35. Em nossa Diocese, segundo dados da projeção do IBGE, 84,61% da população se define como católica. Contudo, como em toda parte, a mentalidade individualista alastrou-se e, num contexto pluralista, cada vez mais o indivíduo tende a escolher sua religião e a fazer uma espécie de mosaico religioso, justapondo à sua religião pessoal, fragmentos de doutrinas e práticas de várias religiões, quando não de práticas esotéricas, coisas já bastante visíveis na vida de nossos fiéis. Poucos são praticantes de fato ou aderem a uma instituição religiosa. A tendência é escolher crenças, ritos e normas que lhe agradam ou então refugiar-se numa adesão parcial, com fraco sentido de pertença a uma igreja (DAESC 2009-2011, n. 32).

36. Constata-se uma inversão no sentido da experiência religiosa. Em lugar da vivência da fé em relação a Deus e sua vontade, e ao próximo na prática da fraternidade, a fé é vista por uma ótica utilitarista, que se constitui na busca de bem-estar interior, terapia, sucesso na vida e nos negócios. Nessa modalidade, a religião se torna muito procurada, inclusive pela mídia. Esta acaba por banalizar a religião, reduzindo-a a mais um espetáculo para entreter o público (cf. CNBB, DGAE 2008-2011, n. 39).

37. “Há igualmente, em novas expressões religiosas, uma tendência generalizada, inclusive por influência de certos psicólogos, a afirmar a inocência dos indivíduos, de modo que ninguém deve se sentir pecador ou culpado. Outros grupos religiosos atribuem toda a culpa aos demônios ou aos espíritos malignos. Há, inclusive, movimentos religiosos autônomos que, através de proselitismo, enganam com a chamada “teologia da prosperidade”. Consequentemente, ninguém se sente responsável por corrigir o que está errado na sociedade, na qual convivem, estranhamente, muita religiosidade e muita criminalidade, busca de Deus e injustiça” (CNBB, DGAE 2008-2011, n. 40).

38. “O discípulo missionário observa, com preocupação, o surgimento de certas práticas e vivências religiosas, predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescindindo do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva. Reduzem-se, deste modo, o sentido de pertença e o compromisso comunitário-institucional. Surge uma experiência religiosa de momentos, rotatividade, individualização e comercialização. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (cf. 1Sm 3,9-10), mas é a ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas” (CNBB, DGAE 2011-2015, n. 22).

39. A ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas tem muitas causas: “Dizem respeito às incontáveis carências das mínimas condições que grande parte de nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva. Dizem ainda respeito às incertezas de um tempo de transformações, que levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. Quando aliado ao individualismo, o fundamentalismo torna-se ainda mais perigoso, pois impede que se perceba o outro como diferente. Este, contudo, é também apelo ao encontro e ao convívio. O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tornando uma espécie de culto de si mesmo” (CNBB, DGAE 2011-2015, n. 22).

40. Cresce o número das denominações religiosas que confundem o povo, especialmente nos centros urbanos, tornando-se um grande desafio para nossa Igreja Católica. Entretanto, os católicos preservam ricas expressões da religiosidade popular, destacando a devoção mariana. É em torno dessas expressões que, sobretudo o povo simples, tem mantido sua fé e se evangelizado.

41. População da Diocese - Fonte IBGE