“Eis que coloco em tua boca as minhas palavras” (Jr 1, 9) –sob este lema, no dia 24 de outubro de 1981, os primos-irmãos Wilson Buss e José Lino Buss, receberam sob as mãos dos bispos Dom Anselmo Pietrulla e Dom Osório Bebber, sua ordenação sacerdotal.
O compromisso assumido na terra natal, na comunidade de São José, em Braço do Norte, foi revivido na noite desta quarta-feira, 26 de outubro, na Igreja Matriz Santo Agostinho, em Rio Maina.
Com a igreja lotada de fieis, e na presença de seus familiares, a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Jacinto Inacio Flach, contou com a homenagem dos paroquianos, conduzida pela Pastoral Vocacional. Um grupo de crianças surpreendeu os presentes e de modo especial, os sacerdotes, ao representar a ordenação dos presbíteros que atualmente servem à paróquia.
“Somos todos consagrados por meio do Batismo, mas pelo sacerdócio, se deixa tudo para ser de todos. Chamados e enviados pela vontade de Deus a serviço do povo e da comunidade. Se não tivéssemos padres, teríamos a Palavra de Deus, mas não teríamos nossa identidade maior na unidade: a Eucaristia. Não existe padre sem Eucaristia, nem Eucaristia sem padre” – afirmou Dom Jacinto em sua homilia.
Desde fevereiro de 2011 como pároco de Rio Maina, Pe. José Lino Buss brincou ao ser chamado pelo bispo a relatar um pouco de sua história. “Dizem que os mais velhos tem direito primeiro. Eu sou 20 dias mais velho que Pe. Wilson”. Pe. José Lino, recém ordenado, foi enviado para Imbituba, e depois atuou na paróquia de Lauro Muller, no Seminário de Tubarão e também na paróquia de Meleiro. Serviu a paróquia de Santa Rosa do Sul e o Seminário Propedêutico, quando localizado em Cocal do Sul, onde participou da formação de 12 padres da Diocese. Nos últimos cinco anos, dedicou sua missão à Paróquia Santo Antonio de Pádua, em Sombrio.
Vigário Geral da Diocese de Criciúma há mais de 10 anos, Pe. Wilson Buss recordou aquele dia de 1981: “Foi um dos dias mais quentes de outubro. Dom Anselmo nos ordenou, mas Dom Osório era o bispo titular. A primeira nomeação veio ainda de manhã, para a Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Jaguaruna, onde permaneci nove anos. Para lá fui, a pedido do Pe. Ludgero Locks, que celebrou o casamento de meus pais”.
Sobre a grande amizade com o primo Pe. Lino, Pe. Wilson acrescentou: “Nos criamos juntos. Sempre brincávamos aos domingos. Nossos pais eram irmãos e nossas mães também eram irmãs” – disse, referindo-se a Evaldo (seu pai) e Antonio (pai de Pe. Lino), e a Ema (sua mãe) e Hermínia (mãe de Pe. Lino). E disse mais: “Foi uma graça trabalhar com Pe. Ludgero (meu irmão) nos últimos quatro anos de vida dele. E hoje também com Pe. José Lino”.
Os padres vem de uma família com 18 sacerdotes. “Nosso bisavô rezava todos os dias para ter um filho padre e uma filha religiosa. Teve 15 filhos e nenhum deles seguiu esta vocação. Porém, teve um neto e mais 17 bisnetos sacerdotes” – relatou Pe. Wilson. “Cada vez que se celebra um acontecimento, renova-se o compromisso da opção pela vida do Reino. De meu sacerdócio, fazem parte toda a minha família e o povo com quem trabalho”.
“Sabemos que fomos escolhidos por Deus para a missão e Ele sempre está conosco, nos dando a sua graça e os seus dons; o que nos anima é o apoio, a presença e o carinho da comunidade”, enfatizou Pe. José Lino.
Ao final da celebração, as luzes da Igreja Matriz foram apagadas. Os padres receberam então, uma homenagem, através da projeção de imagens de sua juventude, ordenação e convívio com a família, além de depoimentos dos pais e irmãos. No vídeo elaborado pela pastoral vocacional, a mãe de Pe. Lino, Hermínia, relatou o momento de doença na juventude, quando hospitalizada recebeu a visita de um sobrinho sacerdote que lhe perguntou se gostaria de ser mãe de um padre. Respondendo afirmativamente, recebeu a benção e a graça de ter o sétimo filho ordenado sacerdote.