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Maria: aberta a Deus e vazia de Si

Ouve-se falar em uma grande diversidade de títulos de Maria. São títulos referentes a fatos de sua vida (anunciação, visitação, das dores, da glória...), referentes a funções que a fé do povo lhe atribuiu (Perpétuo Socorro, Auxiliadora, Desatadora dos Nós...), e ainda títulos referentes às suas manifestações e aparições (Fátima, Guadalupe, Lourdes, Caravaggio, Aparecida...). Porém, em muitos desses títulos algo é semelhante: Maria aparece de mãos juntas, em oração, em posição de quem reza.

 

Segundo o filósofo e teólogo suíço Hans Urs Von Balthazar, Maria personifica a própria Igreja, e é o modelo de espiritualidade para todos os cristãos. Maria é aberta ao mistério do amor de Deus: nos ensina a crer que Deus nos escolheu e amou, e que nós podemos escolhê-lo respondendo ao seu chamado, no sim dia após dia.

 

Maria tinha uma vida centrada na Palavra que se faz carne, que se faz Eucaristia. O seu cântico (magnificat) é expressão de como Maria conhecia as Escrituras, pois cita várias vezes o Antigo Testamento. Maria é cheia de graça porque é vazia de si mesma. A semelhança do próprio Cristo que se esvaziou, Maria é vazia de si, e conseqüentemente é serva, discípula, missionária e obediente. Deus só terá espaço em nossos corações e em nossa vida, se nos esvaziarmos daquilo que está ocupando o lugar dele em nosso interior. Deus não pode ocupar o mesmo espaço que o pecado. Ele tem que ser Absoluto em nós, como foi Absoluto na vida de Maria.

 

Que Nossa Senhora, Mestra na Oração, em seus mais variados títulos, nos ensine a trilhar o seu difícil caminho do esvaziamento. Embora difícil, por ele chegaremos a Jesus.


Por Jonas Emerim Velho
Seminarista de Filosofia

 


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